Adrien - Quinta-feira 22 Janeiro 2026

📡 Vida extraterrestre: o maior radiotelescópio do mundo examina as 100 últimas esperanças do SETI@home

Durante mais de duas décadas, milhões de computadores pessoais ao redor do mundo uniram forças para escrutinar sinais de rádio vindos do cosmos, aspirando a identificar um traço de vida tecnológica além do nosso planeta. Hoje, uma centena de sinais julgados dignos de interesse, provenientes dessa formidável mobilização coletiva, são objeto de um exame aprofundado pelo mais imponente radiotelescópio do planeta.

Lançado em 1999 e ativo até 2020, o projeto SETI@home ofereceu a qualquer pessoa interessada a chance de participar da busca por uma inteligência extraterrestre ao explorar a potência de cálculo não utilizada do próprio computador. Esse programa processou os registros do radiotelescópio de Arecibo, isolando nada menos que doze bilhões de sinais candidatos. Essa abordagem federou uma comunidade de uma amplitude inédita, transformando simples protetores de tela em verdadeiros instrumentos científicos.


O radiotelescópio de 500 metros FAST.
Imagem Wikimedia


Supercomputadores foram então adicionados para triar essa massa colossal de informações. Algoritmos dedicados reduziram progressivamente a lista para um milhão, depois para um milhar de sinais. Cada um destes últimos foi inspecionado manualmente por cientistas, permitindo selecionar uma centena de casos particularmente promissores que justificam uma observação complementar.

Desde julho de 2025, é o radiotelescópio FAST na China, com sua antena de quinhentos metros de diâmetro, que está encarregado dessa verificação minuciosa. O instrumento inicial, Arecibo, que forneceu os dados de partida, não está mais em serviço desde seu colapso em 2020.

O entusiasmo público ultrapassou amplamente as previsões dos fundadores do projeto. Enquanto eles esperavam reunir algumas dezenas de milhares de usuários, mais de dois milhões de pessoas aderiram ao projeto já no primeiro ano. Essa participação excepcional tornou possível a exploração de bilhões de estrelas em nossa Galáxia com uma sensibilidade nunca alcançada para esse tipo de estudo.


Os 12 bilhões de sinais detectados pelo SETI@home foram reduzidos a 100 candidatos para observações de acompanhamento.
Crédito: Robert Sanders/UC Berkeley.

Nenhuma emissão extraterrestre comprovada foi formalmente identificada até o momento, mas a iniciativa estabelece um novo padrão para pesquisas futuras. A expertise assim desenvolvida abre a porta para novos projetos, eventualmente dotados de tecnologias mais eficientes.

Uma interrogação persiste entre alguns pesquisadores: os dados acumulados poderiam ainda esconder uma pista até então despercebida? Com os avanços em inteligência artificial e em cálculo distribuído, uma reanálise exaustiva poderia ser um dia viável. Essa eventualidade conserva a ideia de que o labor de milhões de voluntários talvez ainda não tenha entregado toda a sua substância.

A busca por sinais de rádio estreitos



Na busca por traços de uma civilização tecnológica, os cientistas visam frequentemente sinais de rádio 'estreitos', ou seja, concentrados em uma frequência muito precisa. Dentro do ruído cósmico natural, as emissões são geralmente amplas e distribuídas em um espectro extenso. Uma emissão artificial, concebida para comunicar a longas distâncias, teria mais chance de ser percebida se fosse enviada em uma banda estreita e estável.

Esse método ajuda a diferenciar mais facilmente uma emissão potencialmente inteligente dos numerosos fenômenos astrofísicos naturais, como os pulsares ou as explosões estelares. O projeto SETI@home foi precisamente concebido para localizar esses ínfimos picos de energia em uma frequência específica, provenientes de um ponto dado do céu. Algoritmos escaneavam permanentemente os dados para detectar essas anomalias.

Entretanto, a imensa maioria dos sinais captados provém na realidade de interferências de rádio geradas pela atividade humana terrestre. Os satélites, os radares, e até mesmo certos aparelhos eletrônicos podem produzir emissões que, para instrumentos sensíveis, se assemelham a sinais extraterrestres. O desafio principal consiste, portanto, em filtrar esse 'ruído' terrestre para conservar apenas os candidatos realmente intrigantes.

Esses trabalhos estabelecem limiares de detecção: se uma civilização emitisse um sinal suficientemente potente e direcionado nas zonas observadas, projetos como o SETI@home deveriam tê-lo interceptado. A ausência de detecção positiva permite assim afirmar que nenhuma emissão desse tipo, além de um certo limiar de potência, foi percebida na parte da Galáxia examinada, refinando por isso mesmo o campo das possibilidades.

O cálculo distribuído para a ciência


O cálculo distribuído permite utilizar a potência de numerosos computadores conectados em rede para processar um problema demasiado grande para uma máquina única. Cada participante instala um pequeno software funcionando em segundo plano, examinando lotes de informações quando o computador está inativo. Essa abordagem torna realizáveis simulações ou tratamentos que exigiriam de outro modo supercomputadores extremamente onerosos.


O SETI@home figura entre as ilustrações mais conhecidas desse princípio, tendo gerado uma capacidade de cálculo virtual imensa a partir de recursos domésticos. Esse modelo foi aplicado a outros campos científicos, como a biologia para o estudo do dobramento de proteínas ou a climatologia para a modelagem das evoluções atmosféricas. Ele democratiza assim a pesquisa ao permitir que cada um contribua diretamente para avanços.

Sua principal vantagem repousa em sua faculdade de gerar volumes astronômicos de dados por um custo relativamente módico. Os projetos podem progredir mais rápido ao mobilizar uma comunidade internacional de voluntários, sem exigir uma infraestrutura central desmedida. Esse método colaborativo transforma os computadores pessoais em um recurso científico coletivo precioso.

Fonte: The Astronomical Journal
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