Enquanto os cientistas debatem há décadas sobre a espessura da crosta de gelo de Europa, a lua gelada de Júpiter, um novo estudo traz finalmente uma resposta clara. Um resultado importante para estimar se organismos extraterrestres podem povoar seu oceano subsuperficial.
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores da NASA basearam-se nos dados coletados pela sonda espacial Juno. O instrumento Radiômetro de Micro-ondas permitiu analisar a superfície durante um sobrevoo próximo em 2022. Os cálculos revelam assim uma espessura de cerca de 30 quilômetros para a parte rígida e fria do gelo.
A superfície de Europa mostra sinais de atividade geológica, com sal e dióxido de carbono que poderiam vir de um oceano subsuperficial.
Crédito: NASA/ESA/K. Retherford/SWRI
Esta descoberta encerra um antigo debate entre duas teorias opostas. Alguns especialistas acreditavam que a crosta era muito fina, da ordem de 1,6 quilômetro, enquanto outros consideravam dezenas de quilômetros. A medição da Juno alinha-se com a segunda hipótese. Esta informação permite assim compreender melhor as condições no interior da lua.
A equipe especifica, no entanto, que essa espessura poderia mudar ligeiramente dependendo da composição exata do gelo. Se ele contiver sal dissolvido, poderia ser reduzida em cerca de 5 quilômetros. Além disso, uma camada interna mais quente e em movimento poderia existir abaixo, o que aumentaria a espessura total da crosta.
Este gelo espesso representa uma barreira potencialmente importante para a vida. Os elementos essenciais como o oxigênio e os nutrientes, que poderiam vir da superfície, teriam um caminho mais longo e difícil para alcançar o oceano líquido escondido abaixo. É, portanto, um parâmetro importante a ser considerado para avaliar a habitabilidade de Europa.
Os resultados deste estudo chegam em um momento oportuno. Duas missões espaciais estão atualmente a caminho do sistema joviano para estudar Europa de perto. A sonda Europa Clipper da NASA chegará por volta de 2030, seguida pela missão Juice da Agência Espacial Europeia. Estes novos dados fornecerão um quadro útil para interpretar suas futuras observações.
Este avanço foi possibilitado pela análise minuciosa das medições do radiômetro. Os detalhes do estudo foram publicados em 17 de dezembro na revista
Nature Astronomy. Ela marca uma etapa notável em nossa exploração do Sistema Solar e na busca para identificar os lugares onde a vida poderia existir além de nosso planeta.
O que a missão Europa Clipper buscará?
A missão Europa Clipper é um grande projeto da NASA atualmente a caminho de Júpiter, e cujo objetivo principal é avaliar a partir de 2030 a habitabilidade da lua Europa, estudando seu oceano subsuperficial, sua crosta de gelo e seu ambiente espacial. Ela não pousará, mas realizará vários sobrevoos próximos.
A sonda carrega uma suíte de instrumentos especializados. Câmeras de alta resolução mapearão a superfície para identificar locais de amostragem futuros. Um radar penetrante de gelo sondará a estrutura interna até vários quilômetros de profundidade, buscando principalmente bolsões de água líquida.
Outros instrumentos analisarão a composição química dos penachos de vapor de água que poderiam escapar por fissuras. Eles buscarão moléculas orgânicas ou assinaturas químicas que poderiam indicar atividade biológica. Um magnetômetro estudará a interação entre o oceano e o campo magnético de Júpiter.
Os dados da Juno sobre a espessura do gelo ajudarão a calibrar e interpretar as medições do radar da Clipper. Esta missão representa um esforço coordenado para responder a uma das grandes questões da exploração espacial: existem ambientes propícios à vida em outro lugar do nosso Sistema Solar?
Fonte: Nature Astronomy