Um novo estudo publicado em
JAMA Neurology revela que uma única cabeçada é suficiente para elevar temporariamente no sangue proteínas associadas a lesões cerebrais.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam 302 jogadores amadores masculinos de alto nível durante onze partidas, coletando amostras de sangue antes de cada jogo, imediatamente após e, em seguida, 24 a 48 horas depois. Câmeras foram usadas para contar o número de cabeçadas feitas por cada jogador e estimar sua intensidade.
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Os resultados mostram que os jogadores que realizaram cabeçadas apresentam concentrações mais elevadas da proteína S100B logo após a partida, em comparação com aqueles que não as fizeram. Essa proteína, produzida por células em forma de estrela chamadas astrócitos, é usada na medicina para avaliar traumatismos cranianos.
Além disso, aqueles que deram mais de duas cabeçadas, ou cabeçadas particularmente fortes, também veem aumentar outra proteína: a p-tau217. Esta última é um dos principais marcadores sanguíneos da doença de Alzheimer. A proteína tau normalmente estabiliza a estrutura interna dos neurônios, mas tensões mecânicas podem desprendê-la e transformá-la em p-tau217.
Os níveis de p-tau217 e S100B voltaram aos valores iniciais dentro de 24 a 48 horas após cada partida. Mas os autores do estudo consideram que isso não exclui um efeito nocivo a longo prazo. Outros trabalhos, aliás, mostraram que traumatismos cranianos repetidos em jogadores de futebol ou futebol americano podem matar neurônios e provocar inflamação no cérebro. A hipótese é que os efeitos das cabeçadas se acumulam ao longo do tempo, contribuindo para o surgimento de doenças neurodegenerativas.
Marsh Köings, coautor do estudo, esclarece que os aumentos medidos não ultrapassam os limites usados na clínica para diagnosticar lesões graves. No entanto, esses limites são projetados para detectar traumatismos muito mais severos. O que preocupa os pesquisadores é a repetição desse gesto centenas ou milhares de vezes.
Enquanto isso, os cientistas pedem mais estudos. Acompanhar os mesmos jogadores ao longo de uma temporada inteira permitiria quantificar melhor o efeito cumulativo das cabeçadas e orientar futuras decisões das entidades esportivas.
Fonte: JAMA Neurology