E se o dióxido de carbono, frequentemente percebido como um resíduo, se tornasse uma fonte de energia utilizável?
Esta ideia assume hoje uma direção concreta graças a uma equipe científica. Eles desenvolveram um catalisador à base de manganês, um metal comum e de baixo custo, capaz de transformar eficientemente esse CO₂ em formiato. Este composto está sendo investigado como um meio potencial para armazenar e recuperar hidrogênio destinado a células a combustível.
A produção sustentável de hidrogênio constitui um desafio importante para as tecnologias energéticas do futuro. Atualmente, os processos comuns para obter formiato, um precursor do ácido fórmico usado em diversas indústrias, geralmente dependem do uso de combustíveis fósseis. Consequentemente, a conversão direta do dióxido de carbono atmosférico nessa substância apresenta uma alternativa mais amiga do ambiente. Ela permite reduzir as emissões enquanto gera um produto valorizável.
A equipe de pesquisa, que associa membros de Yale e da Universidade do Missouri, publicou seus resultados na revista
Chem. Os trabalhos conduzidos por Justin Wedal e Kyler Virtue, sob a supervisão de Nilay Hazari e Wesley Bernskoetter, permitiram conceber um catalisador de manganês cuja vida ativa foi consideravelmente prolongada. Essa estabilidade aumentada o torna até mais eficiente do que muitos catalisadores à base de metais preciosos, habitualmente mais eficazes mas também mais caros.
A longevidade deste material provém de uma modificação precisa de sua estrutura. Os pesquisadores adicionaram um átomo doador adicional na concepção do ligante, a entidade que envolve e influencia o átomo metálico central. Este ajuste impede a degradação rápida que afetava anteriormente os catalisadores com metais comuns, permitindo-lhes assim manter sua atividade para converter o CO₂.
Este avanço ultrapassa o âmbito da única produção de formiato. Os cientistas indicam que a sua abordagem de concepção poderia ser aplicada a outras reações catalíticas. Esta perspectiva abre caminho para o desenvolvimento de novos processos químicos mais económicos e sustentáveis, utilizando materiais abundantes para transformações diversas.
As aplicações potenciais são numerosas, nomeadamente no domínio do armazenamento de energia. O formiato produzido pode servir como vetor para o hidrogênio, facilitando seu transporte e uso em células a combustível. Esta pista ajuda a superar um dos principais obstáculos ligados ao hidrogênio como combustível limpo: encontrar métodos práticos e de baixo custo para geri-lo em grande escala.
O financiamento desta pesquisa provém do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Estes trabalhos mostram como inovações em química fundamental podem levar a soluções concretas para as questões energéticas e ambientais atuais, propondo alternativas aos processos industriais tradicionais.
Fonte: Chem