Adrien - Domingo 10 Maio 2026

🪼 Uma nova espécie de quase-medusa descoberta perto de Quebec

Pesquisadores que estudam fósseis de 450 milhões de anos, descobertos a cerca de 50 quilômetros a nordeste de Quebec, identificaram uma nova espécie de medusozoário basal: o *Paleocanna tentaculum*, um pólipo tubular de corpo mole dotado de um anel de tentáculos.

A descoberta deste organismo muito próximo das medusas modernas é um evento por si só, uma vez que apenas algumas espécies do seu subfilo foram registradas nos registros.


Imagem por Louis-Philippe Bateman

"Organismos de corpo mole se conservam menos bem do que organismos de corpo duro, o que torna os fósseis de organismos de corpo mole ainda mais valiosos para a compreensão da história da vida", explica Louis-Philippe Bateman, coautor do estudo e estudante de pós-graduação no Departamento de Biologia da Universidade McGill.


Segundo o coautor, esta descoberta também destaca a importância do patrimônio fossilífero de Quebec.

"Costumo dizer que nossos depósitos fossilíferos eram menos prestigiados do que os de regiões como a Colúmbia Britânica ou Alberta", acrescenta. "Descobertas como esta provam que ainda há muito a descobrir e estudar aqui."

Um sítio rico em espécies Os fósseis foram descobertos em Saint-Joachim, na parte superior da Formação de Neuville, nas Baixas Terras do São Lourenço. Segundo Christopher Cameron, coautor do estudo e professor de biologia da Universidade de Montreal, esta região figura "entre os sítios fossilíferos mais ricos em espécies do planeta" para fósseis do Ordoviciano.

A equipe de pesquisa examinou quinze lajes de calcário xistoso contendo cerca de 135 espécimes, dos quais 39 foram medidos e fotografados. Para proceder à identificação, compararam as características físicas dos fósseis com as de outras 69 espécies, fósseis ou vivas, aparentadas às medusas.

A análise mostrou que *Paleocanna tentaculum* era mais próximo das medusas atuais do que de outros organismos antigos aparentados.

Um estado de conservação excepcional Segundo os pesquisadores, esses fósseis teriam sido criados por um soterramento súbito no fundo do mar, quando uma lama fina cobriu rapidamente os animais, protegendo-os assim de carniceiros e perturbações.

"Considerando que vários indivíduos estão orientados na mesma direção, acreditamos que foram enterrados no local ou que não foram transportados para longe antes de serem cobertos", explica Greta Ramirez-Guerrero, autora principal e doutoranda na Universidade de Montreal. "Esse soterramento rápido, associado a um ambiente pobre em oxigênio, retardou a decomposição e contribuiu para preservar os animais antes que os sedimentos se transformassem em rocha."


Imagem por Greta Ramirez-Guerrero


Esses espécimes fósseis estão conservados no Museu de Paleontologia e Evolução (MPE) de Montreal, onde serão objeto de novas pesquisas.

"Devemos homenagear John Iellamo, colecionador amador de fósseis renomado e membro do nosso museu, que descobriu esses fósseis em 2010 e os ofereceu ao MPE", indica Mario Cournoyer, coautor do estudo e fundador do MPE. "Ele soube reconhecer a importância científica desses fósseis, que colocou à disposição dos pesquisadores. Sem ele, não estaríamos falando desta nova espécie."

Louis-Philippe Bateman acrescenta que o sítio de Saint-Joachim pode ter outros segredos. "Nesse tipo de sítio, geralmente encontramos espécies interessantes por muitos anos. Portanto, espero muitas outras descobertas espetaculares."

Fonte: Universidade McGill
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