Adrien - Segunda-feira 23 Março 2026

📡 Uma explicação para o curioso sinal regular emitido pelo pulsar do Caranguejo

Há mais de duas décadas, um sinal de rádio proveniente do pulsar do Caranguejo exibe faixas perfeitamente espaçadas. Esta observação há muito intriga a comunidade astronómica, pois nenhum outro pulsar mostra tal regularidade.

Este pulsar corresponde ao núcleo colapsado de uma estrela que explodiu em supernova no ano 1054, situado a cerca de 6.500 anos-luz da Terra. A sua relativa proximidade e luminosidade fazem dele um objeto de estudo privilegiado para examinar os vestígios estelares.


A maioria das emissões de rádio dos pulsares são largas e pouco estruturadas, não tão nítidas e em faixas como as do pulsar do Caranguejo.

Recentemente, trabalhos permitiram levantar o véu sobre esta singularidade, atribuindo-a a uma combinação particular entre as propriedades do plasma e os efeitos da gravidade. Mikhail Medvedev, da Universidade do Kansas, apresentou estes resultados num encontro de física, e um artigo foi aceite no Journal of Plasma Physics.


Na magnetosfera do pulsar, o plasma atua como uma lente que alarga a propagação das ondas de rádio, gerando zonas de baixa intensidade. Este fenómeno é bem conhecido na física dos plasmas, mas aqui interage com uma força oposta, a gravidade, que tende a concentrar os raios.

De acordo com a teoria da relatividade de Einstein, a gravidade curva o espaço-tempo e funciona como uma lente focadora. Ao sobrepor-se ao efeito dispersivo do plasma, permite a formação de interferências precisas, onde certas frequências são amplificadas e outras canceladas, produzindo as faixas observadas.

Esta descoberta oferece aos cientistas um meio de explorar ainda mais as estrelas de neutrões e outros objetos compactos. A análise destes sinais permite estimar a distribuição de matéria em torno destes astros e até sondar o seu interior graças aos efeitos gravitacionais.

Embora o modelo atual explique qualitativamente as faixas, são esperados ajustes, por exemplo, integrando a rotação do pulsar.

Fonte: arXiv
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