Adrien - Quarta-feira 14 Janeiro 2026

🐛 Uma espécie inesperada descoberta no Grande Lago Salgado

O Grande Lago Salgado, conhecido por não surpreender com suas águas extremamente salgadas, geralmente é considerado um deserto. Neste ambiente extremo para a vida, uma equipe de biólogos fez uma observação surpreendente: nematódeos, pequenos vermes redondos, prosperam nessas condições hostis. Esta descoberta nos convida a reconsiderar os limites conhecidos da vida em ambientes hipersalinos.

Esta espécie nova para a ciência foi nomeada Diplolaimelloides woaabi. Os pesquisadores da Universidade de Utah trabalharam com a comunidade Shoshone para escolher este nome, que vem de uma palavra indígena que significa 'verme'. O estudo, publicado no Journal of Nematology, descreve as características deste nematódeo único do lago.


Coleta de nematódeos no Grande Lago Salgado.
Crédito: Julie Jung


Até 2022, nenhum nematódeo havia sido confirmado neste lago. Para coletar espécimes, expedições de caiaque e bicicleta foram organizadas até os microbialitos, aglomerados minerais. Julie Jung, então pesquisadora de pós-doutorado, liderou essas missões. Todo o processo, desde a coleta até a confirmação de que se tratava de uma nova espécie, levou três anos.

Os nematódeos são animais microscópicos muito comuns na Terra, presentes dos solos aos oceanos. No Grande Lago Salgado, eles se juntam aos camarões e moscas de água salgada como raros habitantes animais. Além disso, as análises genéticas sugerem a possível existência de uma segunda espécie, o que exigiria investigações adicionais para ser confirmado.

Como esses vermes chegaram lá? Dois cenários são estudados. O primeiro propõe uma origem antiga, ligada a um braço de mar pré-histórico, com nematódeos presos durante a formação da bacia. O segundo, mais surpreendente, considera um transporte por aves migratórias vindas de outros lagos salgados. Essas pistas ajudam a conceituar a dispersão da vida em ambientes isolados.


Imagens microscópicas de Diplolaimelloides woaabi, a nova espécie de nematódeo.
Crédito: Journal of Nematology ; Werner lab, University of Utah

Dentro do lago, essas criaturas ocupam os tapetes de algas dos microbialitos, onde se alimentam de bactérias. Um detalhe notável está na proporção dos sexos: as fêmeas são muito mais numerosas do que os machos no lago, um desequilíbrio que desaparece em laboratório. Essa particularidade destaca a influência marcante de seu habitat em sua biologia. Sua presença pode, no futuro, servir como bioindicador para monitorar o estado do lago diante das pressões antropogênicas.

As interações entre esses nematódeos e os microbialitos, que são grandes produtores de energia no lago, podem influenciar todo o ecossistema. Estudos posteriores permitirão compreender melhor seu lugar na cadeia alimentar.

Fonte: Journal of Nematology
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