Adrien - Quinta-feira 28 Maio 2026

⚛️ Uma anomalia descoberta no LHC, contradizendo o Modelo Padrão da física de partículas

Um comportamento inesperado na desintegração de uma partícula parece não se alinhar com as previsões do Modelo Padrão, embora este seja muito confiável. Isso pode revelar a existência de forças ou partículas ainda desconhecidas, além do nosso conhecimento atual.

Os mésons B são instáveis: vivem apenas uma fração de segundo antes de se transformarem em outras partículas. Ao estudar essas transformações, os pesquisadores esperam detectar a influência de forças ou partículas novas que o Modelo Padrão ignora.


Imagem de ilustração Pixabay

O experimento LHCb no LHC é especialmente projetado para capturar essas desintegrações raras, registrando bilhões de colisões para encontrar os poucos eventos onde ocorrem as desintegrações "pinguim". Nesses casos, o méson B se transforma em um kaon, um pion e dois múons – uma assinatura ao mesmo tempo rara e rica em informações. Os ângulos segundo os quais essas partículas filhas se afastam umas das outras são pistas sobre a física subjacente.


Para realizar essas investigações, o LHC acelera prótons a uma velocidade próxima à da luz e os faz colidir. Entre os detectores, o LHCb opera desde 1994. Entre 2011 e 2018, o experimento registrou 650 bilhões de desintegrações de mésons B, das quais os cientistas extraíram os raros eventos do tipo pinguim.

A análise concentrou-se em um processo eletrofracor o qual um méson B se transforma em kaon, pion e dois múons – uma desintegração que ocorre apenas uma vez por milhão de mésons B. Ao medir precisamente os ângulos e as energias das partículas produzidas, a equipe constatou uma clara discordância com as previsões do Modelo Padrão.

O desvio medido em relação ao Modelo Padrão atinge quatro desvios padrão. Na prática, há apenas uma probabilidade em 16.000 de que esse resultado seja devido ao acaso se o Modelo Padrão estiver correto. Os resultados, publicados em Physical Review Letters, são consistentes com os obtidos independentemente por outro experimento do LHC, o CMS. Embora o chamado "limiar dos cinco sigma" ainda não tenha sido atingido, o que validaria uma descoberta científica, as evidências combinadas já são convincentes.


No LHC, ímãs curvam os prótons em um anel de 27 km, construído sob a fronteira franco-suíça. Crédito: Cern

Vários modelos teóricos poderiam explicar a anomalia. Uma ideia popular envolve os leptoquarks, partículas hipotéticas que fazem a ponte entre léptons e quarks – as duas famílias de matéria. Outra possibilidade é a existência de versões mais massivas de partículas conhecidas. Os novos dados já restringem esses modelos e orientarão futuras pesquisas.

A colaboração LHCb já iniciou a análise de novos dados coletados desde 2018. Esse conjunto contém três vezes mais desintegrações de mésons B do que a amostra anterior, oferecendo uma ferramenta poderosa para verificar a anomalia. As primeiras análises estão em andamento, e os resultados são esperados nos próximos anos.


Em paralelo, os físicos refinam os cálculos teóricos para compreender melhor a contribuição dos pinguins encantados. Se o desvio persistir ou se acentuar, isso fortalecerá a hipótese de uma física além do Modelo Padrão.

Olhando mais adiante, as melhorias do LHC na década de 2030 aumentarão consideravelmente a taxa de colisões. O experimento LHCb planeja coletar um conjunto de dados 15 vezes maior do que o utilizado no estudo atual. Com essa estatística, a sensibilidade será suficiente para atingir uma significância de cinco sigma, o limiar de uma descoberta. Se a anomalia se confirmar, uma nova era se abrirá em nossa compreensão do infinitamente pequeno.

Fonte: arXiv
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