Adrien - Quarta-feira 1 Julho 2026

🧬 Uma 'abstinência sexual' de várias centenas de milhões de anos...

Os primeiros animais na Terra levaram milhões de anos para evoluir, uma lentidão que surpreende os paleontólogos. Como explicar isso, se a vida já havia emergido? Uma equipe da Universidade de Cambridge traz uma resposta: a reprodução assexuada por muito tempo freou a diversidade.

Durante o Ediacarano, há 574 milhões de anos, os primeiros animais se assemelhavam a samambaias. Não tinham boca nem órgãos, e se alimentavam absorvendo os nutrientes da água. Para se reproduzir, usavam estolhos, uma espécie de caules que davam origem a clones, como nos morangueiros atuais.


Ilustração de uma comunidade animal ediacarana.
Crédito: Hugo Salais

Nas águas ricas do Ediacarano, a vida era pacífica. Sem predadores nem concorrentes, os animais não tinham necessidade de mudar. Os pesquisadores mostraram que a reprodução assexuada limitava a competição entre os indivíduos, pois os clones conectados pelos estolhos compartilhavam os recursos. Resultado: a evolução estagnava.


Para entender esse fenômeno, os cientistas analisaram fósseis de Terra Nova com um laser, uma inteligência artificial e um modelo computacional. Este último, chamado Approximate Bayesian Computation, permitiu simular milhares de cenários para ver como diferentes estratégias de reprodução afetavam a diversidade.

Seus resultados concordam com os dados fósseis: a dispersão limitada devido aos estolhos explica por que as primeiras comunidades animais tinham poucas espécies. Depois, quando alguns animais migraram para águas menos profundas, eles sofreram estresses como marés, tempestades e variações de temperatura. Essa pressão favoreceu o surgimento da reprodução sexuada.


Fósseis de Fractofusus, um animal ediacarano.
Crédito: Emily Mitchell

Com a reprodução sexuada, as distâncias de dispersão aumentaram, permitindo que os animais colonizassem novos territórios. A competição se intensificou, acelerando a evolução. Foi isso que levou à "segunda onda" ediacarana, depois à explosão cambriana, onde a vida se tornou móvel e diversificada.

Fonte: Nature Ecology & Evolution
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