Adrien - Quinta-feira 5 Fevereiro 2026

🧠 Um terço da humanidade carrega um parasita potencialmente ativo no cérebro

Aproximadamente um terço da humanidade possui um parasita escondido no cérebro. Longamente considerado inativo, descobriu-se recentemente que este apresenta uma atividade inesperada e estruturada.

Uma equipe da Universidade da Califórnia em Riverside publicou resultados na Nature Communications. O trabalho deles indica que o Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose, apresenta uma organização biológica muito mais elaborada do que se supunha.


Nosso conhecimento até agora retratava os cistos formados pelo parasita como reservatórios homogêneos e dormentes. Graças a métodos de análise unicelular, os pesquisadores identificaram vários subtipos distintos dentro de cada cisto. Emma Wilson, professora de ciências biomédicas, compara essas estruturas a centros ativos onde diferentes parasitas desempenham papéis específicos para a sobrevivência ou propagação.


Esses cistos se desenvolvem principalmente nos neurônios e tecidos musculares, podendo atingir até 80 micrômetros de diâmetro. Eles contêm centenas de parasitas chamados bradizoítos, medindo cerca de cinco micrômetros. O consumo de carne mal cozida, que pode abrigá-los, é uma via comum de infecção em humanos.

Essa diversidade interna dos cistos desempenha um papel determinante na persistência da infecção e na transmissão da doença. Quando o sistema imunológico enfraquece, alguns subtipos podem se reativar em formas agressivas, causando danos neurológicos ou oculares.

O estudo superou obstáculos técnicos utilizando um modelo murino próximo da infecção natural. Os camundongos, hospedeiros intermediários naturais, acumulam muitos cistos no cérebro. Ao isolá-los e analisar os parasitas individualmente, os cientistas obtiveram uma visão detalhada da infecção crônica em tecidos vivos, o que era anteriormente difícil.

Essas descobertas agora direcionam a pesquisa para alvos terapêuticos mais precisos. Ao identificar os subtipos com maior probabilidade de reativação, pode-se vislumbrar tratamentos que ataquem especificamente os cistos. Isso representa uma esperança para melhor gerenciar a toxoplasmose, especialmente em casos de risco como infecções durante a gravidez.

O ciclo de vida do Toxoplasma gondii


Este parasita segue um ciclo que envolve vários hospedeiros. Os gatos, que são hospedeiros definitivos, excretam oocistos em suas fezes, que contaminam o solo ou a água. Humanos e outros animais, como os camundongos, hospedeiros intermediários, se infectam ao ingerir esses oocistos ou consumir carne contendo cistos.

Uma vez dentro, o parasita penetra as células e se multiplica rapidamente na forma de taquizoítos. Ele se desloca pelo corpo via corrente sanguínea, podendo alcançar vários órgãos como o cérebro ou músculos. Esta fase corresponde à infecção aguda, frequentemente assintomática em pessoas saudáveis.


Para escapar do sistema imunológico, os taquizoítos se transformam em bradizoítos e formam cistos nos tecidos. Essas estruturas permitem que o parasita persista por toda a vida, permanecendo geralmente inativo. O ciclo se completa quando hospedeiros intermediários infectados são consumidos por gatos, permitindo que o parasita se reproduza sexualmente.

Esse conhecimento do ciclo esclarece a razão pela qual o Toxoplasma é tão difundido e difícil de erradicar. Os cistos garantem sua transmissão entre espécies e sua resistência aos tratamentos, tornando-o uma questão importante de saúde pública.

Fonte: Nature Communications
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