Adrien - Terça-feira 3 Março 2026

🔊 Um simples som destrói as placas no cérebro responsáveis pelo Alzheimer

Um som, emitido numa frequência específica, poderia oferecer uma solução para a doença de Alzheimer?

Investigadores demonstraram que uma estimulação auditiva a 40 Hz, administrada a macacos idosos, provoca um aumento notável dos marcadores ligados à eliminação das proteínas amiloides, e portanto das placas do mesmo nome, no líquido cefalorraquidiano. Esta observação traça o caminho para terapias não invasivas, potencialmente aplicáveis a uma doença que afeta milhões de pessoas.


Conduzida por uma equipa do Kunming Institute of Zoology na China, o estudo interessou-se por macacos rhesus com idades entre os 26 e os 31 anos. Estes animais desenvolvem naturalmente placas amiloides cerebrais, semelhantes às encontradas em pacientes humanos. Após uma hora diária de estimulação sonora a 40 Hz durante sete dias, os cientistas observaram um aumento espetacular dos níveis de proteínas Aβ no seu líquido cefalorraquidiano, indicando uma dinâmica de limpeza cerebral.


Ao contrário dos modelos murinos frequentemente utilizados, estes primatas oferecem um paralelo mais próximo com a patologia humana. Os seus cérebros apresentam, de facto, depósitos amiloides extensos, o que torna os dados particularmente interessantes para futuras aplicações clínicas.

No final do período de tratamento, as concentrações de Aβ42 e Aβ40 aumentaram mais de 200% no líquido cefalorraquidiano. Facto marcante, estes níveis mantiveram-se elevados durante mais de cinco semanas após o fim das estimulações, um efeito prolongado até então não documentado em roedores. Esta persistência leva a pensar que a técnica poderá induzir uma limpeza duradoura das proteínas nocivas.

Face aos tratamentos atuais, como os anticorpos monoclonais que podem abrandar a progressão da doença mas que trazem riscos de efeitos secundários, a estimulação auditiva a 40 Hz apresenta-se como uma intervenção simples, pouco dispendiosa e não invasiva. Representa, assim, uma opção sedutora para abordagens complementares ou alternativas.


A estimulação auditiva a 40 Hz provocou um aumento significativo das proteínas amiloides no líquido cefalorraquidiano dos macacos, efeito que persistiu durante mais de 5 semanas.
Crédito: KIZ

Estes resultados, publicados na PNAS, trazem provas experimentais sólidas para prosseguir a exploração deste método. Motivam investigações futuras visando adaptar a técnica para humanos, com o objetivo de conceber tratamentos acessíveis e seguros contra os distúrbios cognitivos ligados à idade.

O princípio da estimulação a 40 Hz


A estimulação a 40 Hz designa a aplicação de um som a uma frequência de 40 ciclos por segundo, o que corresponde às ondas gama cerebrais. Estas ondas estão ligadas a funções cognitivas como a atenção e a memória. Ao expor o cérebro a esta frequência, é possível influenciar a sua atividade elétrica e potencialmente sincronizar os neurónios.


Esta sincronização poderá assim melhorar as trocas entre as células nervosas e facilitar processos como a evacuação dos resíduos metabólicos. Trabalhos sobre modelos animais indicaram, por exemplo, que a estimulação a 40 Hz pode aumentar a atividade das células gliais, envolvidas na limpeza cerebral e nomeadamente na eliminação das proteínas amiloides.

Simples e com pouco risco, esta abordagem utiliza estímulos sensoriais comuns, como sons puros, que podem ser facilmente administrados. Abre, portanto, a perspetiva de terapias domiciliárias ou em complemento de cuidados padrão, sem recurso a equipamento pesado. As investigações em curso procuram precisar os parâmetros ideais, como a duração ou a intensidade, para otimizar os benefícios.

Fonte: Proceedings of the National Academy of Sciences
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