O Oceano Austral, que circunda a Antártida, abriga uma miríade de organismos microscópicos que participam ativamente na regulação do clima terrestre, absorvendo quantidades imensas de calor e dióxido de carbono.
Uma equipe internacional de cientistas, liderada pelo biogeoquímico Nicolas Cassar, empreendeu um amplo estudo genético para desvendar os mecanismos desse mundo microbiano. Seus trabalhos, publicados na
Nature Communications, baseiam-se em quase dez anos de pesquisas e em amostras coletadas durante uma expedição de três meses ao Oceano Austral. O objetivo era mapear o DNA desses micro-organismos para compreender sua diversidade e funcionamento.
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As análises genéticas revelaram que mais de um terço dos genes identificados não constam nos catálogos existentes. Essa descoberta mostra o quanto o conhecimento sobre os micróbios marinhos ainda é limitado. Os pesquisadores sequenciaram o DNA a partir de amostras de água e compararam os resultados com bancos de dados, destacando uma diversidade genética até então desconhecida. O biogeoquímico Nicolas Cassar indica que essa porção significativa de genes ausentes dos bancos de dados sinaliza territórios amplamente desconhecidos.
A distribuição dessas comunidades microbianas não é uniforme pelo Oceano Austral. Elas formam ecossistemas distintos, influenciados pelas correntes oceânicas. Algumas prosperam nas águas superficiais frias, enquanto outras estão presentes em profundidades maiores. Essa organização espacial mostra a adaptação dos micro-organismos ao seu ambiente e destaca as interações entre a vida marinha e as condições físicas do oceano.
Compreender esses mecanismos é importante para antecipar a evolução do clima. Os micróbios regulam uma grande parte da química oceânica, e seus genes controlam processos importantes como a absorção do carbono. Assim, este estudo abre caminho para uma melhor modelagem do papel do Oceano Austral no sistema climático global. Os cientistas buscam estabelecer ligações entre a diversidade genética e as funções ecológicas para prever as respostas às mudanças ambientais.
As próximas etapas da pesquisa visam explorar mais detalhadamente essa diversidade genética recém-descoberta. Ao conectar os genes às funções ecológicas, os pesquisadores esperam esclarecer como esses micróbios influenciam e respondem às mudanças climáticas.
Fonte: Nature Communications