Adrien - Quinta-feira 19 Fevereiro 2026

🧠 Tomada de risco: conhecer as consequências das nossas escolhas nos tornaria irracionais

Em muitas situações da vida cotidiana, a tomada de decisão é acompanhada por um retorno sobre as consequências das escolhas, ou "feedback", relacionado ao seu resultado: ganho ou perda financeira, sucesso ou fracasso, informação sobre o que poderia ter acontecido se outra escolha tivesse sido feita... As teorias dominantes em economia, psicologia e neurociências supõem que esse feedback permite ajustar progressivamente as crenças e aprender a fazer melhores escolhas, especialmente no contexto de uma tomada repetida de decisões.

Para testar essa hipótese, uma equipe de pesquisa do Laboratório de Neurociências Cognitivas Computacionais (Inserm/ENS) liderada por Stefano Palminteri, diretor de pesquisa do Inserm, em colaboração com a Paris School of Economics, conduziu experimentos comportamentais envolvendo mais de 500 participantes.


Imagem ilustrativa Pixabay


Em cada etapa desses experimentos, os voluntários eram confrontados com uma situação de escolha binária entre uma opção segura (por exemplo, ganhar 20 pontos com certeza) e uma opção arriscada (por exemplo, ter 50% de chance de ganhar 40 pontos e 50% de chance de não ganhar nada). Para afastar certos vieses metodológicos, os cientistas tornaram a opção arriscada mais ou menos vantajosa em relação à opção segura, variando a probabilidade de ganho (10%, 50%, 90%) e seu valor (40 ou 60 pontos). A qualidade das decisões era medida pela capacidade dos voluntários de escolher a opção que oferecia o ganho médio mais alto [1].

O feedback, quando fornecido, era parcial (apenas o resultado da opção escolhida era dado) ou completo (os resultados das duas opções possíveis eram dados). Seu efeito era então avaliado de duas maneiras complementares: primeiro, depois de fazer uma escolha, a pessoa recebia um feedback cujo efeito era examinado na escolha seguinte e permitia observar como o comportamento evoluía. Em seguida - e este é um dos aspectos mais inovadores do estudo -, em alguns experimentos, os voluntários não eram informados antecipadamente de que um feedback seria fornecido, enquanto em outros, eles sabiam explicitamente que um feedback ocorreria.

Os resultados dos experimentos mostram que a presença de feedback aumenta sistematicamente de 35% a 45% a tomada de risco, mas sem melhorar a qualidade das decisões.

De acordo com as situações, dois mecanismos psicológicos distintos evidenciados pela análise dos dados dos experimentos poderiam explicar esses resultados. Quando apenas o resultado da escolha efetuada é revelado (feedback parcial), o aumento da tomada de risco estaria ligado à curiosidade: escolher a opção arriscada permite obter mais informações (já que o resultado da opção segura é, por padrão, sempre conhecido). Por outro lado, quando os voluntários veem também o que poderiam ter ganho com a opção não escolhida (feedback completo), é a antecipação do arrependimento que favoreceria as decisões arriscadas nas escolhas seguintes.


Outro resultado surpreendente: nas pessoas que sabiam, antes de sua escolha, que iriam receber um feedback, o aumento da tomada de risco aparecia antes mesmo de os voluntários terem recebido qualquer feedback.

"Esses resultados sugerem que a simples antecipação de receber um feedback modificaria a atitude em relação ao risco, antes mesmo de qualquer experiência", explica Stefano Palminteri.

Finalmente, a equipe evidenciou um último resultado particularmente contra-intuitivo: imediatamente depois de receber um feedback positivo (uma confirmação de que a escolha feita permitiu obter o ganho máximo possível), a probabilidade de a pessoa escolher novamente uma opção arriscada diminuía.

"Segundo as teorias dominantes, seria de esperar que um feedback positivo levasse a repetir a escolha associada, o que seria compatível com um efeito de aprendizagem por experiência, analisa Stefano Palminteri, no entanto, observamos o contrário. Isso pode ser explicado por um viés cognitivo chamado 'falácia do jogador': depois de ganhar, as pessoas estimam que têm menos chances de ganhar novamente imediatamente e, portanto, evitam jogar de novo."

Esses resultados expõem, portanto, tanto efeitos paradoxais ligados à antecipação do feedback quanto outros ligados às suas consequências imediatas. Segundo a equipe de pesquisa, eles limitam consideravelmente o efeito de aprendizagem do feedback em um contexto arriscado de tomada de decisão.

"Esta pesquisa contribui para uma compreensão mais fina dos mecanismos cognitivos da tomada de decisão sob risco, comenta Antonios Nasioulas, doutor em economia pela Paris School of Economics, primeiro autor e coautor correspondente deste trabalho. O feedback é frequentemente apresentado como uma ferramenta de 'desviesamento' que permite melhorar as decisões em contextos aplicados, como a gestão financeira ou as escolhas médicas. Este estudo mostra, ao contrário, que o feedback pode introduzir novos vieses, modificando a atitude em relação ao risco em vez de favorecer uma aprendizagem racional."

Este trabalho abre assim novas pistas para estudar certos comportamentos excessivamente arriscados observados na vida cotidiana ou no quadro de estudos comportamentais. Os autores também destacam a importância de levar em conta esses resultados para a concepção de dispositivos de auxílio à decisão, sejam eles destinados ao grande público, aos profissionais ou integrados em sistemas digitais.

Nota:


[1] Esta abordagem é baseada no "valor esperado" (VE); para cada opção, a equipe calculou a média dos ganhos possíveis, ponderada por suas probabilidades: no caso específico deste estudo VE = (probabilidade de ganhar × ganho possível). Em cada etapa de escolha, é portanto a opção com o maior valor esperado que é considerada "ótima". Este método permite determinar se as escolhas são ótimas do ponto de vista matemático, independentemente das preferências pessoais pelo risco.

Exemplo: Se a opção segura rende 20 pontos, então VEsegura = 1 x 20 = 20; se a opção arriscada oferece 50% de chance de ganhar 90 pontos, então VEarriscada = 0,5 x 90 = 45. Aqui VEarriscada é portanto a escolha mais ótima.

Fonte: Inserm
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