A energia solar está a caminho de se tornar a principal fonte de energia renovável do mundo. Pesquisas da Universidade McGill fornecem uma ideia mais precisa da área necessária para esse crescimento e mostram que escolhas judiciosas poderiam reduzir a pegada de terra associada à exploração deste recurso.
"Se a tendência se mantiver, a energia solar fotovoltaica será a maior fonte de energia renovável do mundo até 2029. Mas não temos os dados e os meios necessários para entender o impacto de tal crescimento sobre as terras", diz Sarah Marie Jordaan, professora associada do Departamento de Engenharia Civil da Universidade McGill e diretora do grupo de pesquisa Energy Technology and Policy Assessment (ETAPA). A pesquisadora também trabalha no Instituto de Sustentabilidade em Engenharia e Design Trottier.
Dois estudos complementares conduzidos pelo laboratório da professora Jordaan preenchem essa lacuna. Eles abordam, sob as perspectivas regional e global, a maneira como podemos desenvolver o setor solar enquanto minimizamos ao máximo as pressões exercidas sobre as terras, que são recursos limitados e frequentemente negligenciados.
No primeiro estudo, publicado na
Communications Earth & Environment, a equipe usou inteligência artificial para medir a área ocupada por grandes instalações solares no oeste dos Estados Unidos.
"Usando visão computacional e técnicas de aprendizado profundo, analisamos imagens aéreas de alta resolução para quantificar a superfície ocupada por 719 projetos solares fotovoltaicos no oeste dos EUA", explica Sarah Marie Jordaan.
O estudo fornece um método uniforme e reproduzível para medir a área usada por grandes projetos solares e avaliar os impactos sobre a terra do rápido crescimento do setor de energia solar. Também destaca o impacto das escolhas técnicas e da localização no uso eficiente da terra, sendo que regiões mais ensolaradas e instalações mais compactas exigem uma área menor por unidade de eletricidade produzida.
O segundo estudo, publicado na
Joule, estende essa análise para uma escala global. Com base em imagens de satélite de quase 69.000 instalações solares em 65 países, os pesquisadores compararam a pegada de terra dos sistemas instalados em telhados com a das grandes centrais solares, assim como os custos associados.
"Este estudo nos dá uma análise abrangente, e muito necessária, das ligações entre a energia solar e o uso da terra em escala global, bem como de suas consequências técnico-econômicas", precisa a professora Jordaan.
A análise global mostra que as instalações solares em telhados oferecem um potencial significativo de economia de terras. Também revela que a diferença de custo entre os sistemas em telhados e os no solo varia consideravelmente de uma região para outra, o que permite determinar onde uma instalação em telhado é mais prática. No caso dos sistemas no solo, em muitos locais, a disponibilidade de terra pode não ser uma restrição tão importante quanto se acredita.
"Os projetos solares podem ter impactos ambientais significativos a nível local, mas nossos resultados mostraram que, num contexto de forte crescimento da energia solar, a área de terreno necessária em escala global para atingir a neutralidade de carbono é insignificante", indica Sarah Marie Jordaan. "Há diferenças importantes em termos de custos e disponibilidade de terra onde políticas regionais e direcionadas favorecem soluções que limitam o uso da terra, como os painéis solares instalados em telhados."
Os estudos O artigo "Quantifying land-use metrics for solar photovoltaic projects in the western United States", por Sarah Marie Jordaan e col., foi publicado na
Communications Earth & Environment.
O artigo "Global land and solar energy relationships for sustainability" foi publicado na
Joule. Estes dois estudos foram realizados pelo laboratório da professora Jordaan, em colaboração com instituições da América do Norte, Europa e Ásia. Esta pesquisa foi apoiada pela Fundação Alfred P. Sloan e pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia (CRSNG) do Canadá.
Fonte: Universidade McGill