SpaceX trabalha em um projeto de rede composta por nada menos que um milhão de satélites em órbita terrestre, alimentados por energia solar e interligados por laser. O conjunto formaria um gigantesco datacenter espacial para atender às necessidades das IAs. Esta iniciativa permitiria contornar as limitações dos datacenters terrestres, que consomem muito espaço e recursos.
A ideia pode parecer audaciosa, mas Elon Musk garante que a tecnologia já está parcialmente pronta. Os futuros satélites Starlink V3 já incorporam componentes-chave: painéis solares, radiadores e links de laser. Esses equipamentos permitiriam interligar "racks de computação" instalados em cada satélite, formando assim um imenso computador orbital.
Vista artística de um satélite IA1 da SpaceX em órbita.
Crédito: SpaceX
Cada satélite seria capaz de gerar 150 kW de pico e 120 kW contínuos. Uma potência que supera em muito a dos satélites atuais. Para lançá-los, a SpaceX planeja usar seu foguete Super Heavy com o Starship, ainda em fase de testes. A empresa também conta com uma fábrica de produção dedicada, operacional até o final de 2026.
Diante das preocupações sobre a superlotação orbital, Musk se mostra confiante. Ele lembra que o espaço é vasto e que a SpaceX possui uma experiência única na gestão de grandes constelações, com mais de 10.000 satélites Starlink já em serviço. Segundo ele, mesmo um milhão de satélites não representaria um problema de tráfego.
Este anúncio ocorre em um momento crucial para a SpaceX, que prepara sua abertura de capital na bolsa. A empresa aposta nesses datacenters orbitais para atrair investidores, em um ambiente de concorrência crescente com outros players como Google, Blue Origin e Microsoft. O objetivo é demonstrar que o espaço pode oferecer uma alternativa viável aos centros de dados terrestres.
Ainda não se sabe se este projeto ambicioso conseguirá convencer cientistas e reguladores. Astrônomos já expressaram preocupações quanto ao impacto nas observações. E sérias questões surgem sobre a poluição gerada por milhares de lançamentos do Starship, e o retorno à atmosfera desse milhão de satélites ao fim da vida útil.
Mas para Musk, o desafio é prioritário: trata-se de preparar o futuro da civilização humana, com infraestruturas capazes de sustentar uma inteligência artificial cada vez mais poderosa.
Fonte: SpaceX no X