Adrien - Quinta-feira 5 Fevereiro 2026

⚕️ SIDA: o lítio abre um caminho promissor na luta contra o HIV

De uso comum no tratamento do transtorno bipolar e de outros distúrbios de humor, o lítio pode revelar-se promissor para a inibição do VIH, constatou uma equipa de investigação da Universidade McGill.

Um estudo publicado na iScience revela que o lítio pode de facto impedir que as células infetadas se reativem e que o mecanismo biológico responsável por esta ação não é aquele que se esperava.


Imagem ilustrativa Pixabay

Esta constatação abre caminho para o desenvolvimento de tratamentos que atuariam como o lítio, mas sem produzir os seus efeitos indesejáveis no organismo.

"A busca por outras indicações para medicamentos existentes ocupa um lugar importante na investigação sobre o VIH. Por ser de baixo custo e já aprovado para outros usos, o lítio poderia permitir-nos evitar o longo processo de desenvolvimento a partir do zero", explica Andrew Mouland, professor do Departamento de Medicina da Universidade McGill, diretor do Laboratório de Desvio do ARN do VIH-1 no Instituto Lady Davis de Pesquisas Médicas e autor principal do estudo.

As pessoas seropositivas não devem tomar lítio de imediato, no entanto, esclarece. Este medicamento psicoativo pode ter efeitos secundários significativos e ainda não foi testado em humanos como tratamento contra o VIH.

Um passo rumo a uma "cura funcional"



Em 2024, estimava-se que 40,8 milhões de pessoas em todo o mundo eram portadoras do VIH. Mesmo quando um tratamento antirretroviral eficaz é administrado, o vírus pode permanecer escondido nas células imunológicas e reativar-se se o portador interromper o seu tratamento diário.

Com a "cura funcional", procura-se remediar este problema. Em vez de eliminar completamente o VIH, pretende-se mantê-lo em latência para que não possa reativar-se e, talvez, os portadores deixem de ter de tomar medicamentos todos os dias.

"Nas nossas experiências, o lítio inibiu diretamente a reativação do VIH em células humanas cultivadas em laboratório, um efeito que nunca tinha sido claramente demonstrado", indica Ana-Luiza Abdalla, autora principal do estudo, que conduziu os seus trabalhos como doutoranda na Universidade McGill. Atualmente é investigadora de pós-doutoramento no Instituto-Hospital Neurológico de Montreal.

Além disso, a equipa de investigação adquiriu novos conhecimentos sobre o mecanismo em jogo.

Investigações anteriores sugeriam que a ação do lítio se baseava na sua capacidade de ativar a autofagia, um mecanismo de reciclagem das células. Como muitos medicamentos estudados na investigação sobre o tratamento da infeção pelo VIH atuam neste mecanismo, os cientistas supuseram que era a autofagia que mantinha o vírus em latência.

No entanto, a equipa de investigação questiona esta hipótese com base nos resultados de um teste de fluorescência desenvolvido por Thomas Murooka, investigador da Universidade do Manitoba, que permite distinguir os vírus latentes dos vírus ativos nas células.

"O que nos surpreendeu foi que o efeito persistiu mesmo quando perturbámos a autofagia, esclarece Ana-Luiza Abdalla. Esta constatação parece indicar que outras vias estão em jogo, talvez vias que permitam ao VIH reativar-se."

Fonte: Universidade McGill
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