Já se perguntou por que alguns alimentos parecem melhores no avião, ou por que uma pedra pequena parece pesar mais que outra, maior, embora tenham o mesmo peso? O que vivemos se baseia numa colaboração muito mais rica do que os cinco sentidos clássicos. Nosso corpo está, de fato, equipado com uma verdadeira sinfonia de canais sensoriais.
Os neurocientistas estimam agora que nosso organismo põe em prática entre vinte e dois e trinta e três sistemas sensoriais diferentes. Esses mecanismos vão muito além da visão, audição, tato, paladar e olfato. Eles integram, por exemplo, a propriocepção, que nos permite localizar nossos membros sem observá-los, ou a interocepção, que nos informa sobre mudanças internas como a fome ou a aceleração do pulso.
Imagem de ilustração Pixabay
Esses sentidos nunca agem de forma isolada. Pelo contrário, eles trocam informações permanentemente para construir uma experiência unificada. Assim, nosso estado sentido pode alterar o que vemos, e nossa visão por vezes modifica o que ouvimos. O olfato, em particular, ocupa um lugar maior na apreciação dos sabores, um papel frequentemente subestimado.
Tomemos precisamente o exemplo do paladar. O que chamamos habitualmente de sabor de um alimento provém, na realidade, de uma fusão entre as percepções da língua (salgado, doce, ácido, amargo, umami) e os aromas captados pelo nariz durante a mastigação. O tato, que fornece dados sobre a textura, completa essa experiência. Eis por que a consistência de um iogurte ou o derretimento de um chocolate são tão importantes.
Trabalhos concretos esclarecem essas interações. Por exemplo, o barulho dos motores no avião diminui nossa percepção do salgado, do doce e do ácido, mas não a do sabor umami. Essa é a razão pela qual o suco de tomate, rico em umami, é frequentemente considerado mais saboroso a bordo. Essas observações emanam de estudos realizados em laboratórios especializados, como o Centre for the Study of the Senses em Londres.
Todos podemos constatar esses efeitos no dia a dia. Uma ilusão bem conhecida, chamada 'tamanho-peso', mostra que um objeto de pequena dimensão é frequentemente estimado mais pesado que um objeto maior para um peso idêntico. Ela ilustra o quanto nossas percepções resultam de um cálculo cerebral por vezes errôneo.
Esse conhecimento atualizado da percepção abre horizontes em muitos setores, da gastronomia à concepção cultural. Ao tomar a medida da diversidade e das nuances dos nossos sentidos, podemos entender melhor a forma como percebemos e interagimos com o que nos rodeia a cada instante.
Fonte: The Conversation