Adrien - Terça-feira 24 Março 2026

👽 E se os alienígenas falassem, mas não os ouvimos?

Por que o Universo parece tão silencioso depois de décadas à espera de uma mensagem vinda de outro lugar? Onde estão as civilizações extraterrestres? Uma nova hipótese inesperada acabou de surgir, dando, espera-se, uma explicação ao famoso paradoxo de Fermi.

Habitualmente percebidas como emissões nítidas e contínuas, as ondas de rádio chocam-se com barreiras e perturbações durante a sua viagem. A atividade das estrelas, como as ejeções de massa coronal, projeta por exemplo partículas carregadas que interferem com a propagação destas ondas. Estes encontros têm o potencial de dispersar um sinal numa larga banda de frequências, diminuindo a sua intensidade e complicando a sua receção a partir da Terra.


Um sinal estreito emitido a partir de um planeta (à esquerda) pode ser disperso em frequências depois de atravessar o plasma estelar, reduzindo a sua potência (à direita).
Crédito: Vishal Gajjar


Um trabalho realizado por Vishal Gajjar e Grayce Brown do Instituto SETI quantificou este impacto ao examinar sinais trocados entre a Terra e sondas espaciais. Os seus resultados, publicados na The Astrophysical Journal, permitiram calibrar a influência do vento solar e das erupções estelares nas transmissões muito finas, precisamente aquelas que os astrónomos procuram.

Simulações extrapolaram depois estas medidas para outros sistemas, visando estrelas como o nosso Sol e as anãs vermelhas. Estas últimas, de tamanho modesto mas muito turbulentas, são particularmente suscetíveis de provocar um espalhamento pronunciado dos sinais, podendo exceder várias centenas de hertz em alguns casos.

Este avanço permite considerar modificações nas técnicas de investigação. Ao ter em conta as condições espaciais locais, os cientistas podem agora elaborar estratégias de deteção mais adaptadas aos sinais que nos chegam realmente, e não àqueles emitidos em condições ideais.

Alguns questionam-se se este processo traz um elemento de resposta ao silêncio persistente. Talvez a galáxia não esteja desprovida de mensagens, mas devamos simplesmente aperfeiçoar os nossos instrumentos para as discernir através da interferência gerada pelas estrelas.

Os esforços futuros integrarão estes novos parâmetros às pesquisas em curso, reavivando a esperança de levantar um canto do véu sobre a eventual existência de civilizações tecnológicas no interior da Via Láctea.

Fonte: The Astrophysical Journal
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