Adrien - Domingo 1 Março 2026

💉 Reforçar nossa imunidade contra o risco de gripe aviária

Uma equipe da UNIGE mostra que alguns anticorpos da gripe sazonal também atacam a gripe aviária. Estimulá-los reforçaria nossa proteção em caso de pandemia.

Os anticorpos da gripe sazonal também são eficazes contra a gripe aviária? Uma equipe da Universidade de Genebra (UNIGE) mostra que um tipo específico de anticorpo ligado ao primeiro vírus, e já presente em toda a população, poderia fornecer uma proteção básica contra o segundo. Essa proteção, no entanto, varia de acordo com a idade e o histórico vacinal. Publicados na Nature Communications, esses resultados fornecem elementos chave para antecipar uma potencial pandemia de gripe aviária.


Imagem ilustrativa Unsplash

Em circulação em muitas regiões do mundo - inclusive na Suíça - o vírus da gripe aviária influenza A H5N1 se propaga principalmente entre as aves. No entanto, várias transmissões para bovinos e depois para humanos foram recentemente observadas na América do Norte (71 casos registrados nos Estados Unidos), reavivando as preocupações quanto ao risco de uma futura pandemia. Uma variante proveniente de uma linhagem evolutiva específica do vírus - o clado 2.3.4.4b - chama particularmente a atenção dos epidemiologistas devido à sua virulência.


Vários estudos mostraram que uma imunidade preexistente contra os vírus da gripe sazonal humana poderia modular a gravidade de uma infecção por H5N1. "Todos nós fomos expostos a esses vírus e, portanto, possuímos anticorpos dirigidos contra eles, que compartilham uma base genética comum com o H5N1. Alguns desses anticorpos - ditos de reação cruzada - são, assim, capazes de reconhecer o H5N1 e, em certa medida, de combatê-lo", explica Benjamin Meyer, colaborador científico do Centro de Vacinologia do Departamento de Patologia e Imunologia da Faculdade de Medicina da UNIGE.

As pessoas vacinadas em 2009 durante a pandemia de gripe H1N1 apresentam hoje concentrações mais elevadas de anticorpos de reação cruzada.


Teste de placa que permite quantificar partículas virais infecciosas ou anticorpos neutralizantes. Cada buraco corresponde a uma partícula viral.
Imagem por @CDC no Unsplash


Vacinado em 2009? Mais anticorpos


Graças a trabalhos recentes, Benjamin Meyer e sua equipe destacaram que esses anticorpos de reação cruzada atacam principalmente a "haste" do vírus, que ele tem em comum com a gripe sazonal, e não à sua "cabeça", que muda frequentemente. Mas, sobretudo, os cientistas descobriram que esses anticorpos, ao contrário de outros, não impedem a entrada do vírus H5N1 nas células, mas bloqueiam sua capacidade de se difundir de uma célula para outra.

Com efeito, uma vez replicado dentro de seu hospedeiro, o vírus sai dele, mas permanece preso à membrana da célula. Para se desprender e continuar sua infecção, ele usa uma proteína que age como uma tesoura molecular. É esse processo de "corte" que os anticorpos cruzados inibem, com uma eficácia variável de acordo com os indivíduos.

Ao examinar essas diferenças individuais, os cientistas destacaram outro resultado importante: as pessoas vacinadas em 2009 durante a pandemia de gripe H1N1 — com uma vacina contendo um adjuvante destinado a amplificar a resposta imunológica — apresentam hoje concentrações mais elevadas de anticorpos de reação cruzada, capazes de neutralizar eficazmente o vírus H5N1. Nas pessoas que receberam uma vacina antigripal sazonal padrão, nenhum aumento dos anticorpos de reação cruzada foi detectado. A resposta imunológica reforçada poderia estar associada a sintomas menos graves em caso de infecção pela gripe aviária.

O ano de nascimento também é importante



"Nossa pesquisa também mostra que a exposição precoce ao longo da vida desempenha um papel importante: as pessoas nascidas antes de 1965 — que foram expostas durante a infância a vírus da gripe sazonal dos subtipos H1 ou H2 — apresentam naturalmente níveis mais elevados de anticorpos contra o H5N1. Ao contrário, aquelas nascidas mais tarde foram expostas a outros subtipos de gripe sazonal e dispõem de um nível de proteção básica mais fraco", indica Mariana Alcocer Bonifaz, pesquisadora do Centro de Vacinologia do Departamento de Patologia e Imunologia da Faculdade de Medicina da UNIGE, e primeira autora desta publicação.

Esses resultados destacam a importância da vacinação com adjuvante contra a gripe sazonal para ampliar a resposta imunológica frente ao risco de pandemia de gripe aviária. Tal estratégia apresentaria também uma vantagem maior em caso de pandemia: a quantidade de vacina H5N1 — já disponível — necessária por pessoa seria muito menor em comparação com a vacinação antigripal sem adjuvante, o que aumentaria a capacidade global de vacinação para um mesmo nível de produção.

Fonte: Universidade de Genebra
Ce site fait l'objet d'une déclaration à la CNIL
sous le numéro de dossier 1037632
Informations légales