O telescópio espacial James Webb permitiu que astrônomos identificassem uma galáxia tão distante que nos mostra uma imagem do cosmos com apenas 280 milhões de anos após o Big Bang. Essa observação oferece, assim, uma janela excepcional para os primeiros momentos da história cósmica.
Batizada de MoM-z14, essa galáxia emite uma luz que viajou cerca de 13,5 bilhões de anos para chegar até nós. Ela fornece, portanto, um vislumbre direto da aurora cósmica, esse período em que as primeiras estrelas e galáxias emergiram das trevas primordiais. Graças ao James Webb, os cientistas podem agora explorar essas épocas remotas com uma precisão sem precedentes.
Galáxia MoM-z14, vista como ela aparecia apenas 280 milhões de anos após o Big Bang, permitindo que os astrônomos se aproximem mais do que nunca da era em que as primeiras estrelas e galáxias se formaram, conhecida como aurora cósmica.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Rohan Naidu (MIT) ; Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)
A MoM-z14 se destaca por seu brilho e sua compacidade, características inesperadas para um objeto tão antigo. As medições também revelaram níveis elevados de nitrogênio, o que indica que estrelas massivas podem ter se formado e evoluído a um ritmo acelerado pouco após o nascimento do Universo. Essas propriedades levam a crer que o meio cósmico primitivo era mais ativo do que se previa, com processos estelares ocorrendo muito mais rapidamente do que se supunha até agora.
Antes da chegada do James Webb, as galáxias primordiais eram descritas como pequenas, pouco brilhantes e raras. No entanto, a MoM-z14 e outras galáxias similares parecem muito mais desenvolvidas, exibindo um brilho intenso e uma composição química já avançada. Os astrônomos são, portanto, forçados a reexaminar a cronologia da formação das estruturas cósmicas.
A equipe responsável por esses trabalhos, publicados no
Open Journal of Astrophysics, observa que cada nova observação com o Webb levanta novas questões. Esse avanço mostra o quanto nosso conhecimento do Universo primitivo ainda é incompleto.
Essa descoberta sugere que outros recordes podem ser quebrados em breve. O telescópio continua a revelar aspectos inéditos das primeiras eras, prometendo ainda muitas revelações sobre as origens de tudo o que nos cerca.
Fonte: Open Journal of Astrophysics