Adrien - Quarta-feira 11 Fevereiro 2026

💤 Quando seu cérebro ativa seu programa 'noite' em plena luz do dia

Já aconteceu de você se sentir particularmente distraído após uma noite muito curta? Essa impressão de névoa mental, em que os pensamentos parecem desacelerados e a concentração desaparece, pode corresponder a uma atividade cerebral que não deveria se manifestar naquele momento do dia. Enquanto nossa mente luta para permanecer alerta, processos normalmente observados durante o sono parecem então se ativar.

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) observaram recentemente o que acontece em nossa cabeça durante esses breves momentos de desatenção. Seu estudo, publicado na Nature Neuroscience, revela que, quando nossa atenção vacila devido à falta de sono, o líquido cefalorraquidiano que envolve o cérebro realiza movimentos similares aos que ocorrem durante a noite. Esse mecanismo, essencial para eliminar os resíduos acumulados, aparece, portanto, em plena vigília quando o repouso foi insuficiente.


Imagem ilustrativa Unsplash


Durante o sono, um líquido chamado líquido cefalorraquidiano circula ao redor do cérebro para limpá-lo dos resíduos produzidos durante o dia. Essa limpeza é importante para manter as funções cerebrais em bom estado. A equipe do MIT constatou que, quando uma pessoa falta repouso, esse mesmo líquido começa a se mover durante os períodos de vigília. Esses movimentos coincidem com quedas súbitas da atenção, como se o cérebro tentasse recuperar o tempo perdido ativando um processo de reparo no momento errado.

Para chegar a essas observações, os cientistas convidaram 26 voluntários a passar duas sessões em laboratório: uma após uma noite de privação de sono, a outra após um repouso normal. No dia seguinte de cada sessão, os participantes realizaram testes de atenção enquanto eram monitorados por imagem cerebral e sensores fisiológicos. Essa abordagem permitiu medir simultaneamente a atividade cerebral, os movimentos do líquido cefalorraquidiano, assim como o ritmo cardíaco e a respiração.

Os resultados mostram claramente que o desempenho cai quando o sono falta. As respostas aos testes são mais lentas e, às vezes, os sinais visuais ou sonoros nem são percebidos. Cada vez que a atenção enfraquece, o líquido cefalorraquidiano sai do cérebro para depois voltar quando a concentração retoma. Laura Lewis, professora do MIT, indica que essas ondas de líquido, normalmente ausentes durante a vigília, parecem estar ligadas a um compromisso em que o cérebro sacrifica temporariamente a atenção para tentar se restaurar.

Esses episódios de distração não concernem apenas o cérebro. Os pesquisadores notaram que eles são acompanhados por modificações em todo o organismo: a respiração e o ritmo cardíaco desaceleram, e as pupilas se contraem. Essas mudanças corporais começam cerca de doze segundos antes do movimento do líquido cefalorraquidiano, o que leva a pensar que existe uma coordenação estreita entre as funções mentais e os processos fisiológicos básicos. Um circuito único poderia regular tanto nossa capacidade de permanecer atento quanto aspectos fundamentais como a dinâmica dos fluidos cerebrais.

Embora o circuito exato responsável por essa coordenação ainda precise ser identificado, os cientistas evocam o sistema noradrenérgico como um candidato provável. Esse sistema, envolvido na regulação da vigília e do sono, poderia explicar como a atenção e as funções corporais estão tão estreitamente ligadas.

Fonte: Nature Neuroscience
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