Há 215 milhões de anos, um pequeno réptil teria passado por uma transformação notável ao longo de sua vida: começando sua existência com quatro patas, ele teria gradualmente adotado a locomoção sobre seus dois membros posteriores ao atingir a idade adulta.
Pertencente à família dos shuvossaurídeos, um ramo particular dos arcossauros relacionados aos crocodilianos,
Sonselasuchus cedrus compartilhava seu ambiente com dinossauros velozes que evocavam avestruzes. Embora primo dos crocodilos, sua aparência lembrava fortemente a de alguns dinossauros, uma semelhança devida à evolução convergente. Esses dois grupos coexistiram durante o Triássico Superior, muito antes do surgimento das formas atuais de crocodilos.
Reconstrução artística de Sonselasuchus cedrus em seu ambiente, no que é hoje o Parque Nacional da Floresta Petrificada, há 215 milhões de anos.
Crédito: Arte de Gabriel Ugueto
Trabalhos publicados no
Journal of Vertebrate Paleontology indicam que essa capacidade de modificar sua postura resulta de um modelo de crescimento diferencial. O exame das proporções dos membros fósseis mostra que as patas traseiras tornavam-se mais longas e robustas com a idade. Elliott Armour Smith, autor principal do estudo, explica que os animais jovens possuíam membros com dimensões mais equilibradas, facilitando a locomoção quadrúpede, enquanto os adultos optavam mais pela bipedalidade.
Do ponto de vista morfológico,
Sonselasuchus cedrus media aproximadamente 64 centímetros de altura e exibia um bico desdentado, grandes órbitas oculares e ossos ocos. Essas características, comparáveis às dos dinossauros ornitomimídeos, desenvolveram-se independentemente na linhagem dos crocodilianos, ilustrando como animais distintos podem adquirir formas análogas para ocupar funções ecológicas semelhantes.
O nome da espécie,
cedrus, refere-se aos cedros, coníferas perenes que povoavam as florestas do Triássico Superior. O gênero
Sonselasuchus deriva, por sua vez, da formação geológica Sonsela, onde os fósseis foram identificados. Esse ambiente florestal oferecia um habitat favorável a esse réptil e a outras criaturas da época.
A descoberta desses fósseis ocorreu no Parque Nacional da Floresta Petrificada, no Arizona, onde mais de 3.000 ossos foram extraídos desde 2014. Christian Sidor, professor associado às escavações, destaca a riqueza desse sítio, que revelou restos de peixes, anfíbios e outros répteis.
As pesquisas realizadas com o National Park Service continuam, envolvendo muitos estudantes e voluntários. O local continua fornecendo novos fósseis.
Fonte: Journal of Vertebrate Paleontology