Na codorna-japonesa, um compromisso biológico gera um custo para a maternidade. Produzir mais para os seus filhotes acelera o envelhecimento e reduz a duração da vida.
O estudo, publicado na
Proceedings of the Royal Society B, baseia-se num experimento. Pesquisadores da Universidade de Exeter selecionaram linhagens de codornas capazes de botar ovos grandes ou pequenos. Nesta espécie, os esforços são limitados após a eclosão. O investimento materno concentra-se essencialmente na produção do ovo.
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Ao longo de cinco a seis gerações, as diferenças tornam-se marcantes. As fêmeas que produzem ovos grandes dão à luz pintinhos mais robustos, com melhores chances de sobrevivência. Mas essa generosidade biológica tem um preço mensurável.
Os cientistas observam que essas fêmeas envelhecem mais rapidamente. Sua expectativa de vida cai cerca de 20% em comparação com as que botam ovos menores. Em média, elas vivem 595 dias, contra 770 dias para suas congêneres menos investidas.
Este resultado ilustra uma ideia antiga na biologia evolutiva. Cada organismo dispõe de recursos limitados. A energia dedicada à reprodução não pode ser utilizada para a manutenção natural do organismo, como o reparo celular ou as defesas imunológicas.
Segundo os autores, essa ligação entre esforço reprodutivo e envelhecimento permanecia difícil de demonstrar experimentalmente. A abordagem por seleção utilizada aqui traz uma prova direta. Ela também mostra que essas duas características, reprodução e longevidade, estão ligadas.
Trabalhos anteriores já sugeriam mecanismos subjacentes. As codornas que investem fortemente em seus ovos apresentam um reparo celular menos eficiente e uma imunidade enfraquecida. Essas fragilidades podem acelerar o desgaste do organismo.
Os machos, por sua vez, geralmente vivem mais. O experimento, no entanto, não durou o suficiente para estabelecer claramente o efeito dessa seleção sobre sua longevidade. Seu papel limitado na reprodução, nesta espécie, poderia explicar uma pressão biológica diferente.
Essas observações vão além do caso das aves. Elas mostram um princípio geral dos seres vivos: a reprodução nunca é gratuita. Por trás de cada estratégia reprodutiva esconde-se um compromisso, moldado pela evolução, entre transmitir a vida e preservar a própria.
Fonte: Proceedings of the Royal Society B