Adrien - Sábado 23 Maio 2026

🏔️ Poluição por mercúrio: o derretimento das geleiras libera esse metal tóxico nos Alpes

Embora as emissões atmosféricas de mercúrio (Hg) tenham diminuído fortemente na Europa desde os anos 1970 graças às políticas ambientais, nas regiões de alta montanha, as mudanças climáticas podem perturbar essa trajetória.

Um estudo publicado na Environmental Science & Technology e apoiado pelo LabEx OSUG revela que o derretimento das geleiras alpinas remobiliza o mercúrio acumulado ao longo de várias décadas, causando um aumento inesperado dos aportes em alguns lagos.


Imagem de ilustração Pixabay

Para chegar a esse resultado, os cientistas analisaram os arquivos sedimentares de dois lagos alpinos vizinhos: um lago alimentado pelas precipitações, reflexo direto das deposições atmosféricas, e um lago proglacial alimentado pelas águas do degelo. Graças a métodos de datação por radionuclídeos, eles reconstruíram a evolução dos aportes de mercúrio ao longo de mais de um século.


A comparação desses registros mostra trajetórias opostas: uma diminuição coerente com a queda das emissões no primeiro lago, mas um aumento contínuo no lago proglacial.

Esses resultados indicam que o derretimento glacial libera mercúrio anteriormente preso no gelo, mascarando os benefícios das políticas de redução de emissões. Na escala dos Alpes, o desaparecimento esperado de uma parte importante do volume glacial pode levar à liberação de quantidades significativas de mercúrio no meio ambiente, até 1000 kg até o final do século.

Uma vez liberado, esse mercúrio pode ser transformado em metilmercúrio, uma forma tóxica que se acumula nas cadeias alimentares. Esse descompasso temporal entre redução das emissões e resposta dos ecossistemas ressalta a necessidade de integrar os efeitos das mudanças climáticas na avaliação das políticas ambientais, como a Convenção de Minamata.

Mais amplamente, este estudo destaca a importância dos reservatórios ambientais, como as geleiras, no ciclo global do mercúrio e abre novas perspectivas para melhor antecipar os impactos conjuntos do clima e da poluição.

Fonte: CNRS INSU
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