Adrien - Domingo 3 Maio 2026

🛰️ Pela primeira vez, uma nave vai visitar vários detritos espaciais

Agora é possível inspecionar de perto satélites fora de serviço, uma proeza técnica que abre caminho para uma melhor compreensão de suas falhas. Antes, os operadores precisavam se contentar com observações do solo para adivinhar o que havia acontecido.

Assim, a empresa japonesa Astroscale revelou uma missão inédita: a nave ISSA-J1, pesando 650 quilogramas, deve sobrevoar em 2027 dois satélites japoneses retirados de serviço. Seu objetivo é realizar inspeções visuais detalhadas, graças a propulsores e sistemas de imagem de alta precisão.


Ilustração artística da missão de inspeção ISSA-J da Astroscale em órbita terrestre.
Crédito: Astroscale

Os alvos são dois grandes satélites: ALOS, lançado em 2006, do tamanho de um ônibus e pesando 4 toneladas, que perdeu sua energia em 2011; e ADEOS-II, lançado em 2002, um pouco mais leve (3,7 toneladas) mas colocado mais alto. O que eles têm em comum? Eles morreram em órbita, vítimas de falhas que se deseja elucidar.


Para isso, a abordagem será feita em várias etapas: o ISSA-J1 se aproximará primeiro do ALOS, começando suas observações à distância antes de se aproximar. Uma vez concluída a inspeção, ele mudará de órbita para alcançar o ADEOS-II e repetir o mesmo balé. Essa sequência demonstra uma nova capacidade: visitar vários clientes em órbitas diferentes em uma única missão.

Graças a essas inspeções, obtém-se um olhar valioso sobre o estado dos satélites, muito mais preciso do que os telescópios no solo podem fornecer. Compreender por que um veículo espacial parou de funcionar ajuda a projetar dispositivos mais robustos no futuro e a preparar possíveis reparos em órbita.

A Astroscale não para por aí: a empresa também prepara a missão ELSA-M, um demonstrador de remoção de detritos, em parceria com o lançador alemão Isar Aerospace. Esses esforços se inserem em um programa mais amplo do Japão para fortalecer o conhecimento do ambiente espacial e os serviços em órbita.

Os detritos espaciais: um problema crescente


A órbita terrestre está congestionada com satélites fora de uso, estágios de foguetes e fragmentos diversos. Estima-se em mais de 30.000 o número de detritos com mais de 10 centímetros. Esses objetos viajam a vários quilômetros por segundo e representam um perigo para satélites ativos, estações espaciais e missões tripuladas.

Uma colisão com um detrito pode destruir um satélite ou criar uma cascata de fragmentos, agravando ainda mais a situação. Isso é chamado de síndrome de Kessler. Para limitar esse risco, iniciativas internacionais recomendam desorbitar satélites em fim de vida ou colocá-los em uma órbita cemitério.

Missões de inspeção como o ISSA-J1 permitem compreender melhor o estado dos detritos e identificar as causas das falhas. Esses dados são essenciais para projetar satélites mais resistentes e para planejar operações de limpeza orbital no futuro.

Os serviços em órbita: uma nova fronteira



As operações de inspeção, reparo, reabastecimento ou remoção de satélites eram até agora reservadas a missões tripuladas como as da Estação Espacial Internacional. Mas empresas privadas como a Astroscale desenvolvem veículos autônomos capazes de realizar essas tarefas de forma robotizada.

A inspeção é o primeiro passo. Saber o que está errado permite decidir se é possível prolongar a vida do satélite, por exemplo, reabastecendo-o com combustível ou substituindo um componente defeituoso. Esses serviços podem se tornar um verdadeiro mercado nos próximos anos.

Os desafios técnicos são muitos: aproximar-se de um objeto que não foi projetado para ser visitado, manobrar com precisão e transmitir os dados. Missões como o ISSA-J1 abrem caminho para uma nova era em que os satélites não serão mais objetos descartáveis, mas ativos que podem ser mantidos.

Fonte: Comunicado de imprensa da Astroscale
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