Adrien - Sexta-feira 12 Junho 2026

🧲 Pela primeira vez e acidentalmente, os campos magnéticos de sete exoplanetas medidos

Ao medir os ventos que sopram sobre sete exoplanetas, astrônomos detectaram acidentalmente seus campos magnéticos. Um feito inédito que abre um novo caminho para avaliar a habitabilidade desses mundos distantes.

A Terra deve sua proteção contra a radiação cósmica ao seu campo magnético, enquanto Marte, desprovido de tal escudo, perdeu sua atmosfera e sua água. Até agora, medir esses campos ao redor de exoplanetas parecia impossível.


Uma Júpiter quente com seu campo magnético.
Crédito: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/M. Garlick

Os pesquisadores usaram os instrumentos ESPRESSO do Very Large Telescope no Chile e MAROON-X do telescópio Gemini Norte no Havaí. Esses espectrógrafos analisam a luz das estrelas para revelar a composição das atmosferas exoplanetárias. Ao traçar o movimento do ferro nessas atmosferas, eles puderam calcular a velocidade dos ventos.


Contra todas as expectativas, quanto mais quente o planeta, mais lentos são seus ventos. Esse resultado vai contra a intuição, pois um aporte adicional de energia deveria acelerar os ventos. Os autores do estudo publicado na Nature Astronomy procuraram, portanto, outra explicação.

A resposta viria dos campos magnéticos. Eles agiriam como um freio nas partículas carregadas, retardando assim os ventos. As medidas indicam que esses campos são da ordem de alguns gauss, comparável ao de Júpiter em nosso Sistema Solar.

Esta descoberta permite pela primeira vez comparar o ambiente magnético de diferentes mundos. Ela poderia guiar a busca por planetas potencialmente habitáveis.

Campo magnético e habitabilidade


Um campo magnético planetário atua como um escudo invisível. Ele desvia as partículas carregadas emitidas pelas estrelas, chamadas ventos estelares, que podem erodir uma atmosfera. Sem essa proteção, um planeta pode perder sua água e se tornar estéril, como Marte. Detectar esse campo ao redor de exoplanetas é, portanto, importante para avaliar sua capacidade de abrigar vida.

Os cientistas agora têm uma ferramenta para isso: medir a velocidade dos ventos atmosféricos. Um vento mais lento que o esperado indica a presença de um campo magnético que freia as partículas ionizadas. Esta técnica, descoberta e validada em sete Júpiteres quentes, poderia ser aplicada a planetas rochosos menores no futuro.

Estes trabalhos mostram que os campos magnéticos exoplanetários podem ser equivalentes aos do nosso Sistema Solar. Uma pista promissora para as futuras caças às exoTerras.

Fonte: Nature Astronomy
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