Adrien - Sábado 28 Março 2026

💧 Os lagos do norte estão se transformando rapidamente com o aquecimento

Em 25 anos de mudanças climáticas, como os lagos do norte mudaram? Esta questão motivou um grupo da Faculdade de Florestas, Geografia e Geomática, afiliado ao Centro de Estudos do Norte, a viajar para a baía de James e a baía de Hudson em 2021, após uma primeira expedição em 1995.


Os lagos e as águas doces superficiais são muito numerosos no Norte. — Cortesia

Na época, o professor Reinhard Pienitz havia coletado amostras de quase 70 lagos localizados na floresta boreal, ao sul, e na tundra, ao norte. O pesquisador estudou as diatomáceas, algas unicelulares que se reproduzem muito rapidamente e que são a base da cadeia alimentar. "Os microorganismos aquáticos são bons indicadores das condições nos lagos", indica o professor Pienitz. Esta missão científica permitiu traçar um perfil das condições físicas, químicas e biológicas dos lagos antes do aquecimento.

Em 1995, o estado dos lagos estava alinhado com a transição da vegetação terrestre. "Os lagos na floresta boreal são alimentados por muita matéria orgânica, o que lhes dá uma cor acastanhada, como chá, conta o pesquisador. Ao norte, os lagos são quase transparentes porque contêm poucos nutrientes", relata o professor Pienitz.


Os lagos localizados nas florestas boreais são mais ricos em nutrientes e têm uma cor acastanhada. — Cortesia


Um quarto de século de transformação



O professor Dermot Antoniades e a doutoranda Marie Alibert retornaram 25 anos depois para reproduzir a campanha de amostragem. As rochas desnudas e os arbustos da tundra haviam dado lugar a uma vegetação densa. Lagos antes facilmente acessíveis agora estavam escondidos. "Tivemos que usar facões para abrir caminho através da vegetação rasteira", conta a doutoranda, primeira autora do estudo.

Este deslocamento para o norte da floresta boreal teve o efeito de modificar as condições dos lagos e, consequentemente, a população de microorganismos que vive neles. "Quando as condições são mais favoráveis a certas espécies que estão melhor adaptadas ao calor ou aos nutrientes, por exemplo, elas vão aproveitar para se reproduzir mais rapidamente. A espécie dominante vai mudar", explica o professor Antoniades.

Ao comparar os dados de 1995 e de 2021, os cientistas constataram que as condições típicas dos lagos do sul, mais acastanhados e ricos em nutrientes, agora se encontravam muito mais ao norte. Em apenas 25 anos, esta zona de transição ecológica havia se deslocado pelo menos 68 km e até 148 km em alguns lugares, uma distância considerável segundo Marie Alibert.

Outra diferença marcante: as zonas de transição associadas à floresta boreal e à tundra nem sempre estavam mais alinhadas com a vegetação, ao contrário do que era observado em 1995. "Os lagos respondem mais rapidamente às mudanças climáticas", explica o professor Antoniades. Mesmo que a vegetação desempenhe um grande papel, outros fatores como o degelo do permafrost ou o aquecimento dos lagos podem transformar as propriedades da água.

Para ver melhor se essas transformações são inteiramente novas ou se já ocorreram no passado, a equipe também coletou testemunhos de sedimentos no fundo dos lagos. Essas colunas permitem reconstruir a história dos lagos e verificar se os ecossistemas já passaram por transições tão rápidas.


A equipe de pesquisa usou um helicóptero para chegar aos lagos mais distantes. — Cortesia


Efeitos ainda desconhecidos



Este deslocamento das condições do sul para o norte pode ter efeitos sobre a biodiversidade. "Há um risco de homogeneização das espécies se todos os ambientes aquáticos se assemelharem. As espécies que eram mais adaptadas ao frio e a pouca matéria orgânica tenderão a desaparecer", acrescenta Marie Alibert.

Segundo Reinhard Pienitz, o estudo permite destacar manifestações quase invisíveis das mudanças climáticas. "Mesmo que não as percebamos, elas já começaram e não conhecemos as consequências a longo prazo, especialmente para as comunidades do norte que dependem desses lagos para água potável e pesca."

A equipe de pesquisa gostaria de retornar mais frequentemente a essa região do norte para documentar as mudanças. Para o professor Pienitz, essa continuidade é preciosa. "É bastante raro dispor de uma longa série de dados, cobrindo um quarto de século. Temos uma oportunidade única de avaliar as consequências do aquecimento."

O estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

Fonte: Universidade Laval
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