Adrien - Terça-feira 10 Fevereiro 2026

🐶 Os cães poderão algum dia falar? A ciência responde

E se o seu cão pudesse um dia falar com você? Esta ideia, que atravessa narrativas há séculos, é agora examinada pela pesquisa científica. Enquanto os cães falantes ainda pertencem à ficção, especialistas questionam os limites biológicos e as ferramentas tecnológicas capazes de expandir a comunicação com os nossos companheiros.

Uma nova síntese, realizada por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd na Hungria, aborda esta questão com seriedade. Este trabalho analisa os fatores anatômicos, cognitivos e evolutivos que moldam a maneira como os cães comunicam com os humanos. O seu objetivo é distinguir o conhecimento estabelecido das exageros e mapear os caminhos ainda inexplorados.


Imagem de ilustração Pixabay

Do ponto de vista anatômico, os cães não possuem as mesmas estruturas vocais que os humanos. A sua laringe e trato vocal estão adaptados para latir, gemer ou rosnar, mas não para produzir os sons articulados da fala. No plano cognitivo, embora compreendam muitas palavras e gestos, a capacidade de construir frases permanece fora do seu alcance.


De um ângulo evolutivo, se a fala constituísse uma vantagem para os cães que vivem junto dos humanos, ela provavelmente ter-se-ia desenvolvido parcialmente ao longo das gerações. No entanto, este fenómeno não ocorreu. Os pesquisadores mostram que a domesticação certamente aperfeiçoou a comunicação, mas sem ultrapassar o limiar de uma linguagem.

Assim, os cientistas explicam que, em vez de tentar fazer os cães falarem, é mais promissor compreender melhor os seus modos de expressão atuais. Eles utilizam, de facto, sinais vocais e não verbais ricos em informação, que podemos aprender a interpretar para aprofundar a nossa relação com eles.

Estas reflexões possuem também implicações para o estudo da evolução da linguagem humana. Os cães, como modelos comparativos, ajudam a esclarecer os primeiros passos cognitivos que precedem a fala. Por outro lado, os ensinamentos extraídos da comunicação cão-humano alimentam o campo da etorrobótica, que visa conceber robôs interativos mais eficazes.

Etorrobótica e interações interespecíficas


A etorrobótica é um campo emergente que associa o estudo do comportamento animal e a robótica. A sua ambição é criar máquinas capazes de interagir de forma espontânea com os animais, inspirando-se nas regras de comunicação observadas na natureza.

Por exemplo, ao compreender como os cães comunicam com os humanos, os engenheiros podem programar robôs para que utilizem sinais comparáveis, como movimentos de cabeça ou sonoridades, de modo a estabelecer uma ligação com cães ou outras espécies.

Estes avanços encontram utilizações concretas, como nas terapias assistidas por animais ou para a vigilância da fauna. Os robôs etorrobóticos podem assim substituir ou complementar as interações humanas em certos contextos.

Além disso, este método permite verificar hipóteses sobre a comunicação sem as distorções ligadas às espécies, propondo um ambiente controlado para observar como os sinais são recebidos e compreendidos.

Fonte: Biologia Futura
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