Raras explosĂ”es cĂłsmicas azuis, chamadas LFBOT, podem surgir da colisĂŁo entre um buraco negro ou uma estrela de nĂȘutrons e uma estrela Wolf-Rayet. Desde 2018, esses eventos foram detectados apenas quatorze vezes, e sua cor azul persistente, bem como sua evolução em poucos dias, nĂŁo se assemelham a nada conhecido.
Ao contrĂĄrio das supernovas clĂĄssicas, que se apagam em vĂĄrias semanas, as LFBOT atingem seu pico de luminosidade em poucos dias e permanecem azuis, sinal de uma temperatura extremamente elevada. Sua raridade torna sua origem difĂcil de identificar.
Um novo estudo propĂ”e um cenĂĄrio inĂ©dito: um buraco negro ou uma estrela de nĂȘutrons colide com uma estrela Wolf-Rayet, a estrela mais quente do Universo. Essas estrelas massivas perderam sua camada externa de hidrogĂȘnio. Nesse modelo, um sistema binĂĄrio evolui atĂ© que uma das estrelas entre em colapso formando um objeto compacto que, centenas de anos depois, colide com sua companheira.
Os modelos concorrentes, como supernovas ou eventos de ruptura por um buraco negro, tĂȘm dificuldade em explicar todas as propriedades das LFBOT, especialmente seu ambiente circunstelar denso. Os pesquisadores acreditam, portanto, que essas explosĂ”es vĂȘm de um processo Ășnico, e a colisĂŁo com uma Wolf-Rayet corresponde bem a todas as observaçÔes.
Para confirmar essa hipĂłtese, serĂĄ necessĂĄrio descobrir mais LFBOT. O telescĂłpio Vera C. Rubin, com seu levantamento LSST, deverĂĄ permitir detectar centenas delas, inclusive as mais fracas e distantes. Isso revelarĂĄ como esses fenĂŽmenos evoluĂram ao longo do tempo cĂłsmico.
As estrelas Wolf-Rayet: gigantes ultraquentes
As estrelas Wolf-Rayet estĂŁo entre as mais massivas e mais quentes do Universo. Sua temperatura superficial pode atingir 30 000 a 200 000 graus Celsius. Sua particularidade Ă© ter perdido sua camada externa de hidrogĂȘnio, deixando exposto seu nĂșcleo de hĂ©lio. Essa perda Ă© devida a ventos estelares muito potentes, que sopram a matĂ©ria em grande velocidade.
Essas estrelas sĂŁo raras e tĂȘm uma vida curta, da ordem de alguns milhĂ”es de anos. Elas evoluem frequentemente em sistemas binĂĄrios, onde uma estrela companheira pode acelerar seu despojamento. Seu destino Ă© geralmente terminar como supernova, algumas podem dar origem a buracos negros ou estrelas de nĂȘutrons.
No modelo proposto para as LFBOT, uma estrela Wolf-Rayet Ă© impactada por um objeto compacto. A colisĂŁo libera uma energia colossal, produzindo a explosĂŁo azul observada. Compreender essas estrelas ajuda, portanto, a melhor identificar as origens desses fenĂŽmenos luminosos.
Fonte: arXiv