Adrien - Segunda-feira 4 Maio 2026

🐝 Nas abelhas, o tamanho do cérebro importa, mas não como pensamos

Um cérebro grande torna alguém mais inteligente? Um estudo publicado na PNAS oferece uma resposta matizada em abelhas. Ao testar sua capacidade de associar odores a uma recompensa, cientistas mostram que os indivíduos com lóbulos olfativos mais desenvolvidos aprendem melhor. Um desempenho que pode melhorar sua eficiência na coleta de alimento.

Um cérebro minúsculo, mas capacidades impressionantes


Embora a questão do tamanho do cérebro e suas capacidades cognitivas seja tão antiga quanto o mundo, ela ainda não encontrou uma resposta satisfatória na comunidade científica. Ao contrário de uma ideia preconcebida, um cérebro maior não é necessariamente sinônimo de melhor desempenho cognitivo. Essa regra se aplica tanto a computadores quanto a seres vivos.


Imagem ilustrativa Pixabay

Os insetos são a prova disso, pois apesar de seus cérebros minúsculos (muitas vezes menores que um grão de sêmola), são capazes de comportamentos notavelmente complexos: resolução de problemas, aprendizado, comunicação simbólica ou otimização de trajetos em longas distâncias. Essas capacidades dependem menos do tamanho geral do cérebro do que da organização fina de seus circuitos neuronais.

Diferenças individuais que importam



Mesmo dentro de uma espécie, os indivíduos não são idênticos. Na abelha doméstica (Apis mellifera), existem variações naturais no tamanho do cérebro.

Ao analisar cerca de 1.500 indivíduos, cientistas mostraram que essas diferenças influenciam o desempenho de aprendizado. As abelhas foram condicionadas a associar um odor a uma recompensa doce: aquelas com as cabeças mais volumosas se saem melhor, independentemente da dificuldade da tarefa.

Esses resultados mostram que algumas abelhas são naturalmente mais eficientes em aprender sinais olfativos, uma vantagem crucial para localizar flores e se comunicar dentro da colônia.

O papel-chave dos lóbulos olfativos


Para entender a origem dessas diferenças, os cientistas reconstruíram em 3D o cérebro de algumas abelhas usando raios-X.

O resultado é claro: os melhores desempenhos de aprendizado estão associados não ao tamanho geral do cérebro, mas ao volume dos lóbulos olfativos, estruturas localizadas sob as antenas e especializadas no processamento de odores.

Essa observação foi confirmada no zangão (Bombus terrestris), o que sugere que essa ligação entre estrutura cerebral e aprendizado olfativo pode ser difundida entre os insetos.

Embora este estudo não ofereça uma resposta definitiva sobre uma relação de causa e efeito entre o tamanho do cérebro e a inteligência geral de um animal, ele indica ligações entre tarefas cognitivas específicas (aqui, aprendizado de odores) e áreas bem delimitadas no cérebro (os lóbulos olfativos).

Essas ligações são potencialmente múltiplas e diferentes dependendo das operações cognitivas, o que pode explicar por que alguns indivíduos são bons em certos comportamentos e menos bons em outros. Essa variabilidade é bem conhecida em todo o reino animal, dos insetos aos humanos, e contribui para caracterizar as personalidades animais.

Fonte: CNRS INSB
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