Adrien - Sábado 7 Março 2026

👓 Miopia: e se não fosse culpa das telas?

A miopia está a desenvolver-se a uma velocidade notável nos jovens, e os ecrãs provavelmente não são os únicos fatores em causa. Enquanto smartphones e computadores são regularmente apontados como culpados, um estudo recente avança uma explicação diferente, que pode revolucionar a nossa abordagem ao assunto.

Neste contexto, os cientistas do SUNY College of Optometry examinaram como os nossos hábitos visuais em ambientes fechados podem ter um papel importante. O seu trabalho, que será publicado na Cell Reports, indica que a luz fraca nos compartimentos e o tempo passado a fixar objetos próximos, como um livro ou um ecrã, reduzem a quantidade de luz que atinge a retina. Esta combinação parece ser mais determinante do que os ecrãs em si para explicar o aumento da miopia.


Imagem de ilustração Pixabay


Na verdade, quando lemos ou trabalhamos num objeto próximo, a pupila contrai-se para melhorar a nitidez da imagem. Num ambiente pouco iluminado, esta contração pode reduzir demasiado a iluminação retiniana. Os investigadores explicam que, no exterior, sob uma luz forte, a pupila contrai-se principalmente devido à luminosidade, o que transmite sempre luz suficiente para a retina. Em ambientes fechados, o mecanismo é diferente e pode favorecer o desenvolvimento da miopia.

Se esta hipótese se confirmar, pode influenciar as abordagens para limitar a progressão da miopia. Os especialistas podem recomendar garantir uma iluminação suficiente durante as atividades de perto e reduzir a exigência de acomodação, por exemplo, com lentes multifocais. Passar tempo ao ar livre, olhando para longe, também é uma pista promissora, pois expõe os olhos a uma luz abundante e não requer foco prolongado.

Por fim, os autores do estudo precisam que estes resultados não constituem uma resposta definitiva, mas oferecem uma hipótese verificável que relaciona hábitos visuais, iluminação e fisiologia ocular. São necessárias pesquisas adicionais para explorar estas ligações e refinar as estratégias de prevenção.

Fonte: Cell Reports
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