Na Turquia, a sequência de grandes terremotos mostra um progresso claro em direção ao oeste ao longo da falha Norte-Anatoliana. A atenção dos pesquisadores está particularmente voltada para a área sob o mar de Mármara, que permaneceu silenciosa por mais de dois séculos e meio, um período de calmaria que sugere um acúmulo significativo de tensão.
Uma equipe internacional, liderada por cientistas do Japão e da Turquia, publicou recentemente na
Geology o primeiro modelo tridimensional completo do subsolo dessa região. Essa realização oferece uma compreensão muito mais refinada da estrutura da falha.
Istambul, a capital da Turquia, faz fronteira com o mar de Mármara.
Imagem Wikimedia
Para elaborar esse modelo, os cientistas recorreram a uma técnica baseada em medições magnetotelúricas. Graças a mais de vinte estações, eles registraram mudanças sutis nos campos elétricos e magnéticos naturais da Terra. Esses dados permitem medir as propriedades elétricas das rochas até várias dezenas de quilômetros de profundidade. Essa medição indireta constitui uma ferramenta valiosa para sondar o subsolo sem recorrer à perfuração, uma vantagem importante para estudos em ambiente marinho.
O exame das informações coletadas revelou um arranjo detalhado de zonas com diferentes resistividades elétricas. As regiões de baixa resistividade, frequentemente ligadas à presença de água ou fluidos, são mecanicamente menos resistentes. Em contraste, as zonas de alta resistividade aparecem mais rígidas e travadas, acumulando provavelmente mais tensão. A equipe científica levanta a hipótese de que os próximos grandes terremotos podem ter origem nos limites entre essas seções com características opostas.
Essas observações têm consequências imediatas para a avaliação do risco sísmico na região de Istambul. Ao fornecer pistas sobre a localização e a magnitude possível dos futuros eventos, esse modelo permite preparar estratégias de preparação para desastres.
Localizada em uma zona tectônica ativa onde várias placas se encontram, a Turquia possui uma história sísmica marcada por grandes eventos e catástrofes. Este estudo se insere em uma longa série de pesquisas, mas se destaca por uma precisão notável. A longo prazo, trabalhos semelhantes poderiam ser realizados em outras grandes falhas.
Fonte: Geology