Adrien - Quarta-feira 15 Abril 2026

🪐 A imagem do nosso próprio Sistema Solar 1000 vezes mais jovem

Observar o nascimento de um sistema planetário em tempo real é um espetáculo extraordinário, oferecido pela primeira vez por uma equipe de astrônomos.

Seus instrumentos capturaram dois planetas em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2. Esta observação nos projeta mais de 4 bilhões de anos no passado, na época em que nosso próprio Sistema Solar emergia, nos dando uma visão de nossa própria origem.


A estrela jovem WISPIT 2 vista pelo VLT com espaços escuros no disco protoplanetário indicando as protoplanetas.
Crédito: ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al.

Situada a 437 anos-luz, WISPIT 2 tem apenas 5,4 milhões de anos, o que a torna aproximadamente mil vezes mais jovem que nosso Sol. Ao redor dela gira um disco espesso de gás e poeira, chamado disco protoplanetário, que age como um verdadeiro berçário para novos mundos. Nesta estrutura em forma de anel, a matéria se agrega pouco a pouco para formar planetas, um fenômeno descrito pelos modelos, mas raramente capturado em tempo real.


Dentro deste disco, os pesquisadores identificaram dois planetas, batizados de WISPIT 2b e WISPIT 2c. O primeiro, localizado no ano passado, possui uma massa cinco vezes maior que a de Júpiter e evolui em uma órbita muito distante de sua estrela. O segundo, mais próximo, foi confirmado recentemente graças a observações muito precisas. Esses corpos celestes estão em pleno crescimento, atraindo matéria ao seu redor e cavando sulcos distintos no disco, o que revela sua atividade de formação.

Para detectar esses planetas, os astrônomos recorreram ao Very Large Telescope (VLT) e seus instrumentos de ponta como SPHERE e GRAVITY+. Essas ferramentas são capazes de distinguir objetos muito pouco luminosos submersos no brilho do disco, detectando sua influência gravitacional e fornecendo imagens detalhadas. Uma melhoria recente do GRAVITY+ foi particularmente determinante para autenticar a presença de WISPIT 2c, situada mais próxima da estrela do que sua companheira.


A estrela jovem WISPIT 2 vista pelo VLT com duas protoplanetas em formação indicadas.
Crédito: ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al.

As órbitas desses planetas esculpem espaços vazios no disco, sinal de seu crescimento ativo. Além disso, um espaço menos marcado sugere a existência de um terceiro planeta, mais distante, que futuros telescópios como o Extremely Large Telescope (ELT) poderiam identificar. Segundo os pesquisadores, esse candidato planetário poderia apresentar uma massa comparável à de Saturno.

Publicada na The Astrophysical Journal Letters, este estudo fornece acesso a uma visão privilegiada dos mecanismos de formação planetária. Ela dá uma visão de como sistemas como o nosso puderam emergir a partir de discos similares. Com as próximas gerações de telescópios, os astrônomos antecipam uma multiplicação de tais observações diretas.

Fonte: The Astrophysical Journal Letters
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