Como as montanhas do Himalaia foram moldadas? Curiosamente, muito antes da colisão entre o que hoje é a Índia e a Ásia Central.
Para compreender os mecanismos, geólogos da Universidade de Adelaide compilaram centenas de modelos térmicos realizados ao longo de três décadas. Suas análises revelam que o antigo oceano Tetis, ao fechar-se progressivamente, enviou ondas tectônicas. Essas forças influenciaram o relevo antes mesmo do encontro entre as duas massas continentais.
Ao tratar esses modelos como um conjunto coerente, os pesquisadores puderam identificar tendências geológicas de longo prazo. Esses trabalhos indicam que o clima árido persistente e a atividade do manto terrestre tiveram um impacto relativamente menor na paisagem.
Imagem de ilustração Pixabay
Para traçar a história das rochas, a equipe empregou métodos de termocronologia. Essas técnicas mostram como os materiais se resfriam durante sua ascensão à superfície durante um episódio de soerguimento montanhoso. Posteriormente, o cruzamento desses dados com modelos de tectônica de placas e de precipitações antigas permitiu estabelecer uma ligação entre a evolução do oceano Tetis e as fases sucessivas de construção das montanhas.
Essa abordagem poderia ser aplicada a outras regiões onde a formação dos relevos permanece mal compreendida. Outro caso é o da separação da Austrália e da Antártica, há cerca de 80 milhões de anos, que não deixa uma marca clara.
No Cretáceo, enquanto os dinossauros povoavam a Terra, a Ásia Central já possuía uma paisagem montanhosa, comparável à da província de Basin-and-Range nos Estados Unidos. A modificação do oceano Tetis, provocada pelo recuo das placas em subducção, reativou antigas zonas de sutura. Esse fenômeno criou cristas paralelas muito distantes do futuro local da colisão himalaia.
Publicada na
Nature Communications Earth and Environment, este estudo ajuda a interpretar melhor a história dos continentes e a prever algumas evoluções geológicas futuras.
Fonte: Communications Earth & Environment