Adrien - Quinta-feira 19 Fevereiro 2026

🦟 Finalmente uma vacina eficaz e segura contra o chikungunya?

Uma febre, depois dores articulares durante anos: eis a realidade para muitas pessoas afetadas pelo chikungunya, uma doença transmitida por mosquitos. Embora os sintomas iniciais sejam frequentemente intensos, são sobretudo as complicações a longo prazo que chamam a atenção dos profissionais de saúde.

Uma proporção notável de pacientes sofre de dores persistentes, durando por vezes meses ou até anos, como em algumas formas de artrite. Neste contexto, a busca por um meio de prevenção eficaz representa uma prioridade.

Investigadores da Universidade Griffith na Austrália realizaram um avanço notável nesta direção. O seu trabalho baseia-se numa abordagem inovadora para elaborar uma vacina contra este vírus. Em vez de usar vírus atenuados ou inativados, a equipa optou pela criação de partículas sintéticas que imitam perfeitamente o exterior do vírus do chikungunya. Estas partículas servem de isco para treinar o sistema imunitário sem provocar a doença.


O mosquito-tigre Aedes albopictus é reconhecível pelas listras brancas que riscam as suas patas. É nomeadamente o vetor dos vírus da dengue e do chikungunya, bem como do vírus Zika.
Wikimedia Commons / Centers for Disease Control and Prevention


Para fabricar estes iscos, os cientistas utilizaram bactérias E. coli modificadas como pequenas fábricas biológicas. Estas bactérias produzem partículas de biopolímero que apresentam na sua superfície antígenos específicos do chikungunya, nomeadamente as proteínas E2 e E1. O professor Bernd Rehm esclarece que estas partículas, sem adjuvantes, assemelham-se tanto ao vírus verdadeiro que desencadeiam uma reação imunitária robusta. O sistema de defesa do organismo identifica-as e prepara-se assim para combater uma futura infeção real.

Este método oferece a vantagem de ser seguro, uma vez que não requer a utilização do vírus vivo, atenuado ou mesmo de fragmentos virais. As partículas sintéticas são simplesmente absorvidas pelas células imunitárias chave, que aprendem depois a reconhecer o inimigo verdadeiro. Os ensaios pré-clínicos indicaram que esta abordagem induz uma proteção imunitária encorajadora, abrindo caminho para testes em humanos. Os resultados deste estudo foram publicados na revista Biomaterials.

A evolução da doença em si permite compreender a importância de tal descoberta. Após uma picada de mosquito infetado, o vírus multiplica-se no sangue e dirige-se principalmente para as articulações, músculos e tecidos conjuntivos. Provoca então uma inflamação significativa e lesões diretas. Mesmo após a eliminação do vírus, o sistema imunitário pode continuar a atacar os tecidos articulares, conduzindo a dores crónicas em até 60% dos pacientes.

A equipa de investigação planeia agora avançar para o desenvolvimento clínico da candidata a vacina. Os próximos passos consistirão em realizar ensaios para avaliar a segurança da formulação em voluntários humanos, antes de testar a sua eficácia real na prevenção da infeção. Esta estratégia poderá fornecer uma ferramenta valiosa para limitar epidemias, nomeadamente nas regiões tropicais e subtropicais onde os mosquitos vetores estão muito presentes.

Fonte: Biomaterials
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