Uma simples semente de planta poderia se tornar uma aliada de peso contra os microplásticos na água?
Pesquisadores brasileiros acabam de mostrar que o extrato de sementes de moringa elimina essas partículas tão bem, e às vezes melhor, do que os tratamentos químicos clássicos. O segredo? Uma propriedade natural surpreendente: as proteínas da moringa fazem os microplásticos se agregarem, o que permite removê-los facilmente por filtração.
Os microplásticos, esses minúsculos fragmentos de plástico, são uma fonte crescente de poluição. Eles frequentemente atravessam as estações de tratamento e acabam na água da torneira. Os métodos atuais usam sais de alumínio ou ferro para coagulá-los, mas esses produtos não são biodegradáveis e podem deixar resíduos tóxicos.
Imagem de ilustração Pixabay
A busca por soluções mais sustentáveis levou os cientistas a explorar alternativas naturais, como as sementes de moringa, já reconhecidas por suas propriedades purificantes. Um estudo publicado no
ACS Omega confirma sua eficácia contra os microplásticos.
Os pesquisadores testaram um extrato salino de sementes de moringa. Adicionado à água, ele neutraliza a carga negativa dos microplásticos, que normalmente se repelem. Isso os força a formar aglomerados maiores, que são então retidos por um filtro de areia. Em laboratório, o extrato de moringa igualou o desempenho do sulfato de alumínio e, em uma água mais alcalina, chegou a superá-lo.
Para imitar as condições reais, a equipe adicionou microplásticos de PVC à água da torneira e os envelheceu com raios ultravioleta. O PVC é particularmente perigoso, pois pode ser mutagênico e cancerígeno. A água contaminada foi tratada em um sistema Jar Test, simulando uma estação de tratamento. As medições feitas com microscópio eletrônico mostraram que o extrato de moringa eliminava tantos microplásticos quanto o sulfato de alumínio, com aglomerados de tamanho semelhante.
Semente de moringa: o extrato salino produziu a coagulação necessária para filtrar os microplásticos.
Crédito: Adriano Reis/ICT-UNESP
A etapa seguinte consistiu em testar o método na água do rio Paraíba do Sul, que abastece São José dos Campos. Os primeiros resultados mostram que o extrato de moringa também funciona em condições reais, mesmo com impurezas naturais. Os pesquisadores destacam as preocupações sanitárias relacionadas aos coagulantes à base de alumínio, não biodegradáveis e tóxicos. A moringa oferece uma alternativa ecológica e segura.
Para pequenas comunidades e zonas rurais, esse método pode ser ao mesmo tempo econômico e simples de implementar. O extrato pode ser preparado em casa sem equipamentos especializados. Embora as grandes usinas continuem usando produtos químicos clássicos, a moringa poderia suprir uma necessidade onde a sustentabilidade e o baixo custo são prioridades.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo, com o apoio da FAPESP. Eles continuam otimizando o processo e explorando outros coagulantes naturais. Os resultados indicam que a moringa pode se tornar uma ferramenta valiosa na luta contra os microplásticos, especialmente em regiões onde o acesso a tratamento avançado é limitado. Trabalhos adicionais são necessários para aumentar a escala, mas os primeiros dados são encorajadores.
Fonte: ACS Omega