O dihidrogênio H
2 é um vetor de energia muito útil para converter e armazenar energias renováveis. Sua produção e utilização baseiam-se em dispositivos, eletrolisadores e células de combustível, no centro dos quais ocorrem reações eletroquímicas envolvendo hidrogênio e oxigênio, conduzidas por eletrodos tipicamente de platina.
A eficiência e a vida útil desses dispositivos exigem o domínio perfeito dos mecanismos físico-químicos que ocorrem na superfície dos eletrodos. Seu rendimento depende fortemente dos eventos que ocorrem na interface entre o eletrodo e o eletrólito, uma zona nanométrica onde convivem moléculas de água, íons e cargas elétricas.
Imagem de ilustração Pixabay
Infelizmente, essas interfaces continuam difíceis de observar em modo
operando, ou seja, diretamente durante o uso, e muitos mecanismos fundamentais ainda são mal compreendidos.
No âmbito do projeto EMOSEINE, os cientistas do Instituto de Química Física (CNRS/Universidade Paris-Saclay) e do Laboratório de Ondas e Matéria da Aquitânia (CNRS/Universidade de Bordéus) acompanharam em tempo real os fenômenos que ocorrem na superfície de um eletrodo de platina imerso em uma solução aquosa contendo fosfatos.
Esses íons fosfato (H
nPO
4(3-n)- onde n = 0,1,2: H
2PO4
-, HPO
42-, PO
43-), provenientes do ácido fosfórico (H
3PO
4) no qual o eletrocatalisador de platina está imerso, são necessários para estabilizar o pH e garantir a condução iônica.
Quimicamente e termicamente estável em altas temperaturas, esse ácido pode ser explorado de forma otimizada em células de combustível. Mas o conhecimento dos mecanismos de adsorção/dessorção dos íons fosfato em contato com os eletrodos, favorecendo ou limitando sua eficiência, permanece muito parcial, dada a complexidade e variedade das espécies iônicas presentes.
Para avançar na compreensão desses fenômenos, os cientistas desenvolveram uma célula eletroquímica acoplada à espectroscopia óptica não linear por geração de segundo harmônico (SHG). Essa célula espectro-eletroquímica permitiu sondar especificamente em tempo real os processos químicos (cinética das reações, natureza e organização das espécies adsorvidas na superfície do eletrodo de platina e produtos finais) que ocorrem na superfície dos materiais eletrocatalíticos imersos em meio aquoso, independentemente da tensão elétrica aplicada a eles.
Seu trabalho mostra que os íons fosfato não interagem todos da mesma forma com a superfície da platina. O íon di-hidrogenofosfato (H₂PO₄⁻) comporta-se como um adsorvente fraco. Permanece majoritariamente na periferia da interface sem ocupar diretamente os sítios ativos do metal e comporta-se como um íon espectador.
Inversamente, as formas menos protonadas dos fosfatos (HPO₄²⁻ e PO₄³⁻) apresentam uma afinidade mais forte pela superfície. Elas podem competir com outras espécies, como os íons hidróxido (OH⁻), para ocupar os sítios catalíticos. Uma adsorção que pode modificar profundamente a estrutura eletrônica da interface e desacelerar as reações eletroquímicas.
Os cientistas também mostram que esses fenômenos dependem fortemente do pH da solução. Em meio ácido, a adsorção permanece limitada e relativamente reversível. Por outro lado, quando o pH aumenta, as interações tornam-se mais fortes e mais complexas, com efeitos notáveis na cinética das reações e na estabilidade do eletrodo.
Esses resultados permitem compreender melhor o que se chama de "envenenamento" dos eletrodos, ou seja, o bloqueio dos sítios ativos do catalisador em sua superfície por espécies adsorvidas que diminui a eficiência das reações. Ao identificar precisamente quais espécies são responsáveis por esse fenômeno e em quais condições, este estudo constitui um avanço importante para o desenvolvimento de células de combustível mais eficientes e duráveis.
Redator: Christophe CARTIER DIT MOULIN
Fonte: CNRS INC