Adrien - Terça-feira 26 Maio 2026

🌍 Do carbono orgânico “não biológico” nas profundezas da Terra

Um estudo publicado na Nature Communications destaca uma fonte importante e até agora subestimada de carbono profundo: compostos orgânicos formados sem intervenção da vida. Esses resultados questionam a interpretação clássica das assinaturas isotópicas do carbono no manto e lançam uma nova luz sobre o ciclo profundo do carbono.

O carbono orgânico é tradicionalmente associado à atividade biológica. No entanto, uma fração significativa desse carbono pode se formar de maneira abiótica, durante a alteração hidrotermal da litosfera oceânica. Quando a água do mar se infiltra nas rochas em profundidade, desencadeia reações químicas que produzem compostos orgânicos sólidos, independentemente de qualquer atividade biológica.


Carbono orgânico (DCM) aprisionado em uma fase de alta pressão (antigorita) / @ Baptiste Debret


Esses compostos são então enterrados nas zonas de subducção, arrastados para grandes profundidades onde são submetidos a condições extremas de pressão e temperatura.

Graças a uma combinação de análises espectroscópicas avançadas e medidas isotópicas, os pesquisadores estudaram rochas metamórficas alpinas, testemunhas de soterramento profundo. Suas observações mostram que esses compostos abióticos são notavelmente preservados durante o metamorfismo, sofrem poucas transformações químicas e mantêm uma assinatura isotópica leve.

Até agora, esse tipo de assinatura era amplamente interpretado como um indicador de origem biológica. Esses resultados mostram que ela também pode resultar de processos puramente metamórficos.

Um papel fundamental no ciclo profundo do carbono


O estudo destaca que esses compostos abióticos constituem a principal fonte de carbono leve nas rochas submetidas a alta pressão e alta temperatura durante a subducção. Esse carbono pode então ser reciclado no manto terrestre, contribuindo especialmente para a diversidade isotópica observada em alguns diamantes formados em grandes profundidades.

Esses trabalhos levam a reconsiderar um paradigma fundamental: a assinatura isotópica leve do carbono no manto não constitui uma prova de origem biológica, muito pelo contrário.

Além da compreensão do ciclo profundo do carbono, essa descoberta abre perspectivas importantes sobre a formação de carbono orgânico em ambientes extremos, sobre as trocas entre a superfície e o interior da Terra, e sobre os mecanismos capazes de produzir carbono orgânico em outros planetas.

Fonte: IPGP
Ce site fait l'objet d'une déclaration à la CNIL
sous le numéro de dossier 1037632
Informations légales