Adrien - Sexta-feira 20 Fevereiro 2026

🪐 Descoberta de um segundo caminho para o surgimento da vida

O surgimento das moléculas indispensáveis à vida na Terra constitui uma interrogação maior para a ciência.

Um avanço recente mostra que aminoácidos, esses elementos fundamentais dos seres vivos, poderiam ter emergido em meios gelados e expostos às radiações, longe das condições amenas até então consideradas. Essa descoberta provém do exame de grãos de poeira minúsculos trazidos do asteroide Bennu.


Cientistas que estudam o asteroide Bennu descobriram que aminoácidos-chave podem se formar em ambientes gelados e ricos em radiação, em vez de em água morna. A vista de oito bandejas contendo o material final do asteroide Bennu.
Crédito: NASA/Erika Blumenfeld & Joseph Aebersold

No decorrer do ano de 2023, a missão OSIRIS-REx da NASA fez retornar ao nosso planeta amostras de Bennu, um asteroide considerado primitivo. As análises permitiram reconhecer nele aminoácidos com 4,6 bilhões de anos, estabelecendo que esses componentes da vida existem de fato no espaço, e são até mesmo elementos constitutivos do nosso Sistema Solar e, consequentemente, da Terra.


O estudo publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences indica que sua gênese não corresponde aos modelos atuais.

Pesquisadores da universidade Penn State empregaram instrumentos concebidos especialmente para detectar isótopos, leves diferenças na massa atômica. Sua atenção se voltou para uma quantidade de poeira equivalente a uma colher de chá, focando na glicina, o aminoácido mais elementar. Essa molécula frequentemente serve como indicador para reconstituir os mecanismos químicos primordiais.

Os dados obtidos mostram que a glicina presente em Bennu provavelmente se constituiu na ausência de água líquida, no interior de gelo submetido às radiações nas fronteiras do jovem Sistema Solar. Essa constatação se opõe ao processo de Strecker, há muito tempo percebido como a via a privilegiar, o qual exige água morna e compostos como a amônia.


Analisando um pouco de poeira espacial não maior que uma colher de chá, a equipe da Penn State usou instrumentos personalizados capazes de medir isótopos.
Crédito: Jaydyn Isiminger / Penn State

Um paralelo com o meteorito de Murchison, que caiu na Austrália em 1969, faz ressaltar essa divergência. Os aminoácidos de Murchison parecem provir de um meio contendo água líquida e temperaturas moderadas, potencialmente semelhantes às da Terra primitiva. Bennu, por sua vez, testemunha condições nitidamente mais hostis.

Esses trabalhos avançam que os corpos progenitores de Bennu e de Murchison provinham de zonas quimicamente distintas no interior do Sistema Solar. Consequentemente, os ingredientes necessários à vida poderiam ter percorrido trajetórias múltiplas para chegar até nós, multiplicando as possibilidades quanto ao seu surgimento em outros lugares do Universo.

Novas interrogações surgem, como a razão pela qual duas formas espelho de um aminoácido apresentam assinaturas isotópicas distintas. A equipe planeja examinar outros meteoritos a fim de estabelecer um mapeamento da diversidade das condições prebióticas.

Fonte: Proceedings of the National Academy of Sciences
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