Adrien - Segunda-feira 23 Março 2026

🧠 Como os vírus prejudicam nosso cérebro

Qual é o impacto de uma infeção viral na nossa memória, atenção ou concentração? A pandemia de Covid-19 reavivou o interesse por esta questão, agora alargada a outras infeções como o VIH, o herpes ou a hepatite.

Apesar de várias décadas de investigação, os efeitos das infeções virais nas funções cognitivas - memória, concentração, atenção - continuam pouco compreendidos. A maioria dos estudos baseia-se, de facto, em ferramentas de rastreio globais, aplicadas separadamente a cada doença.


O surgimento do vírus SARS-CoV-2, assim como a frequência e persistência de sequelas cognitivas pós-infeciosas, reavivaram, contudo, o interesse por este campo de pesquisa.
Imagem gerada com ChatGPT (OpenAI)

O surgimento do vírus SARS-CoV-2, assim como a frequência e persistência de sequelas cognitivas pós-infeciosas, reavivaram, contudo, o interesse por este campo de pesquisa.


Num novo estudo, uma equipa da UNIGE e dos HUG reuniu e analisou os resultados de 931 artigos científicos sobre as ligações entre o sistema imunológico e as funções cognitivas, através de diferentes infeções virais como o SARS-CoV-2, o VIH, o herpes ou a hepatite.

"O nosso objetivo foi adotar uma abordagem transversal para superar a visão fragmentada que prevalece nesta área", explica Julie Péron, professora associada no Laboratório de Neuropsicologia Clínica e Experimental da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, assim como no Centro Interfacultativo de Ciências Afetivas da UNIGE, e neuropsicóloga consultora no Serviço de Neurologia do Departamento de Neurociências Clínicas dos HUG.

Várias "assinaturas" biológicas identificadas


Esta análise confirma que uma inflamação persistente - resposta natural inicial do organismo face a uma agressão - pode estar associada a perturbações da memória e concentração. Mas sobretudo evidencia certos marcadores biológicos do sistema imunológico ligados a variações no desempenho cognitivo.

"Níveis elevados de glóbulos brancos chamados 'monócitos ativados' e de citocinas pró-inflamatórias - proteínas que permitem ao sistema imunológico comunicar - estão correlacionados com um declínio da memória episódica e da velocidade de processamento de informação", indica Anthony Nuber-Champier, doutorando no Laboratório de Neuropsicologia Clínica e Experimental da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, assim como no Centro Interfacultativo de Ciências Afetivas da UNIGE, e primeiro autor do estudo.

Pelo contrário, certos marcadores, como os linfócitos T CD4+ ativados - também glóbulos brancos - ou as citocinas anti-inflamatórias, parecem associados a uma melhor preservação das capacidades cognitivas. "As respostas imunitárias variam, contudo, de pessoa para pessoa. O que parece determinante é o equilíbrio entre estes diferentes sinais inflamatórios para manter uma estabilidade cognitiva duradoura", salienta o investigador.

Fonte: Universidade de Genebra
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