Adrien - Terça-feira 26 Maio 2026

🪑 Como combater facilmente a "armadilha da cadeira"?

Praticar atividade física regular não protege totalmente dos malefícios da posição sentada prolongada. Se pensávamos que uma boa sessão de esporte apagava as horas passadas numa cadeira, as pesquisas revelam que a imobilidade age sobre o corpo de maneira independente.

A distinção entre comportamento sedentário e inatividade física é essencial para compreender os riscos. A inatividade física corresponde à falta de exercício moderado ou intenso, como caminhada rápida ou corrida. Já o sedentarismo designa os longos períodos passados sentado ou deitado com um gasto energético muito baixo. Assim, uma pessoa pode correr todas as manhãs, mas ficar sentada oito horas no escritório. Os benefícios do exercício não anulam os efeitos negativos dessa imobilidade.


Imagem ilustrativa Pixabay


Quando o corpo fica imóvel por muito tempo, várias mudanças ocorrem. A atividade dos músculos esqueléticos diminui, dificultando a absorção de glicose pelo sangue. Com o tempo, isso favorece a resistência à insulina, um caminho para o diabetes tipo 2. O metabolismo das gorduras também desacelera, e a circulação sanguínea se torna menos eficiente. O fornecimento de oxigênio e nutrientes aos tecidos se reduz, o que pode elevar a pressão arterial e aumentar os riscos cardiometabólicos.

Os efeitos não são apenas metabólicos. Uma má postura e a falta de movimento sobrecarregam o pescoço, os ombros e a parte inferior das costas, explicando as dores frequentes em funcionários de escritório. No plano mental, a imobilidade prolongada diminui o estado de alerta, a concentração e a energia. Pessoas que ficam sentadas por muito tempo frequentemente se sentem mais letárgicas e menos produtivas.

Interrupções regulares, mesmo curtas, podem fazer uma diferença significativa. Pesquisas indicam que levantar-se ou caminhar de dois a cinco minutos a cada 30 a 60 minutos melhora o metabolismo da glicose e diminui os riscos cardiometabólicos.

O exercício regular continua indispensável, mas não compensa inteiramente os riscos de uma posição sentada muito longa. Pequenas mudanças, como uma curta caminhada ao meio-dia ou levantar-se durante uma chamada telefônica, podem parecer insignificantes. No entanto, são importantes.

O metabolismo da glicose


A glicose é o principal combustível das nossas células. Após uma refeição, o pâncreas libera insulina, um hormônio que permite que a glicose entre nas células para ser usada como energia. Quando se fica sentado por muito tempo, os músculos esqueléticos, que são grandes consumidores de glicose, permanecem inativos. Sua capacidade de responder à insulina diminui, obrigando o pâncreas a produzir mais insulina para manter a glicemia normal.


Com o tempo, essa sobrecarga pode esgotar as células pancreáticas e levar à resistência à insulina. Esta é uma etapa chave para o pré-diabetes e o diabetes tipo 2. Estudos mostram que pequenas pausas ativas, como caminhar alguns minutos a cada hora, melhoram a sensibilidade à insulina e ajudam a regular a glicemia, mesmo sem exercício intenso.

O fígado também desempenha um papel: na posição sentada, o armazenamento de gordura no fígado pode aumentar, contribuindo para a esteatose hepática. Esses mecanismos explicam por que reduzir o tempo sentado é benéfico para a saúde metabólica, independentemente da atividade física praticada por outro lado.

Fonte: The Conversation
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