Durante vinte anos, os pesquisadores acompanharam participantes do maior estudo sobre centenários, o New England Centenarian Study. Os descendentes de centenários, então com cerca de 70 anos, forneceram detalhes precisos sobre sua alimentação por meio de questionários frequentes.
Hoje, muitos ultrapassaram os 90 anos, oferecendo uma oportunidade rara de observar como a dieta interage com a biologia herdada para promover um envelhecimento bem-sucedido.
Os hábitos alimentares observados nos filhos de centenários distinguem-se por uma maior proporção de peixe, frutas e vegetais, bem como um baixo consumo de açúcar e sódio. Esses elementos estão associados a uma melhor saúde cardiovascular, cognitiva e metabólica. Segundo os autores, esses comportamentos alimentares podem amplificar a resiliência biológica transmitida pelos genes parentais, criando um círculo virtuoso para a longevidade.
A genética explica apenas cerca de metade da diferença na duração da vida. O ambiente, incluindo a alimentação, desempenha um papel igualmente importante. O estudo observa que os descendentes de centenários não são os únicos a beneficiar de uma alimentação saudável: os participantes com alto nível educacional e rendimentos elevados alcançam uma qualidade de dieta comparável, independentemente de sua herança genética. Isso mostra que fatores socioeconômicos podem compensar ou reforçar as predisposições.
O objetivo final desses trabalhos é "comprimir a morbidade", ou seja, permitir que as pessoas vivam muito tempo com saúde. Ao identificar os padrões alimentares ligados a um envelhecimento bem-sucedido, os cientistas esperam oferecer a todos, independentemente de seu patrimônio genético, as chaves para uma vida mais longa e mais saudável. Como afirma um pesquisador, a nutrição é uma alavanca poderosa que podemos controlar.
A compressão da morbidade
A compressão da morbidade é um conceito-chave em gerontologia. Ele designa a ideia de reduzir o período de doença e incapacidade antes da morte. Em vez de passar anos com má saúde, os indivíduos permaneceriam em forma até uma idade avançada, e depois experimentariam um declínio rápido no final da vida. Essa abordagem visa melhorar a qualidade de vida, em vez de simplesmente alongar a duração da vida.
Os pesquisadores em longevidade se interessam por esse fenômeno, pois ele permite envelhecer com saúde. O estudo sobre os centenários mostra que seus descendentes adotam hábitos alimentares que favorecem essa compressão. Ao comer melhor, eles reduzem os riscos de doenças crônicas como diabetes ou distúrbios cardiovasculares, retardando assim o aparecimento de problemas de saúde.
Para alcançar uma compressão da morbidade, não basta seguir uma dieta. É preciso também combinar atividade física, ausência de tabaco e gestão do estresse. A alimentação é apenas um pilar, mas é acessível e modificável. Os resultados desse estudo encorajam a promover desde já escolhas alimentares saudáveis para todos, independentemente dos genes.
Fonte: Innovation in Aging