Adrien - Quinta-feira 26 Março 2026

🚀 Casas "insufláveis" para a Lua

Os engenheiros deparam-se com um problema de dimensão: transportar grandes módulos habitáveis no espaço com foguetes de capacidades limitadas. Empresas privadas propõem agora uma solução prática: estruturas que se desdobram uma vez em órbita ou no destino.

Nesta perspetiva, a Voyager Technologies acabou de anunciar um investimento de vários milhões de dólares na Max Space, uma especialista em habitats expansíveis para a Lua. Esta parceria deve acelerar o desenvolvimento destes módulos ao aumentar a produção e reforçar os esforços de engenharia. O objetivo comum é tornar esta tecnologia operacional para futuras missões lunares.


Ilustração artística de um habitat expansível da Max Space na Lua.
Crédito: Max Space

Estes habitats são concebidos para se dobrar de forma compacta, permitindo alojá-los na carenagem de foguetes como o Falcon 9 da SpaceX. Uma vez chegados ao destino, na Lua ou em órbita, desdobram-se para oferecer um espaço interior muito maior do que os módulos rígidos clássicos.


Esta colaboração insere-se também no âmbito do programa Artemis da NASA, que prevê uma alunagem tripulada na Lua em 2028 e o estabelecimento de uma presença humana permanente. Os módulos expansíveis poderiam assim tornar-se elementos para uma base lunar na superfície, fornecendo habitats espaçosos.

O conceito de habitat expansível não é inteiramente novo. A NASA tinha testado um módulo semelhante, o Bigelow Expandable Activity Module, acoplado à Estação Espacial Internacional em 2016 para estudar o seu desempenho. Problemas financeiros tinham infelizmente levado ao encerramento da Bigelow Aerospace. A Max Space espera agora desenvolver versões maiores e mais robustas.

O funcionamento dos habitats expansíveis


Os habitats expansíveis baseiam-se numa engenharia astuciosa que permite reduzir o seu tamanho durante o lançamento. São fabricados com materiais flexíveis e resistentes, frequentemente polímeros reforçados, que podem ser dobrados ou enrolados para caber em espaços confinados. Uma vez no lugar, um sistema de insuflação ou de desdobramento mecânico faz-nos tomar a sua forma final, criando assim volumes habitacionais importantes sem sobrecarregar o foguete.


Crédito: Max Space

Em comparação com as estruturas rígidas tradicionais, estes habitats oferecem várias vantagens. A sua massa reduzida no descolagem permite economias de combustível e custos de lançamento mais baixos. Além disso, a sua capacidade de se expandirem após a chegada significa que os astronautas beneficiam de um conforto acrescido, com mais espaço para viver, trabalhar e armazenar material, o que é vital para missões de longa duração na Lua ou em Marte.

A durabilidade destes módulos é testada em ambientes extremos. Têm de resistir às radiações espaciais, às flutuações de temperatura e aos micrometeoritos. Testes na Terra e em órbita, como o do módulo BEAM, mostraram que estas estruturas podem ser seguras e fiáveis.

No futuro, as inovações neste domínio poderão incluir sistemas auto-implantáveis ou materiais inteligentes que se adaptam às condições. Estes progressos poderão tornar os habitats expansíveis ainda mais eficientes, facilitando o estabelecimento de bases permanentes para além da órbita terrestre.

Fonte: Voyager Technologies
Ce site fait l'objet d'une déclaration à la CNIL
sous le numéro de dossier 1037632
Informations légales