Adrien - Terça-feira 3 Fevereiro 2026

☢️ A cannabis irradiada pode conter fungos tóxicos e resíduos

A irradiação gama, método de esterilização comumente utilizado na produção de cannabis terapêutica e recreativa, não elimina completamente os fungos tóxicos nem seus resíduos químicos, conforme revelado em um estudo da Universidade McGill. Além disso, casos de contaminação podem passar despercebidos, uma perspectiva preocupante para pessoas vulneráveis devido, entre outros fatores, a um sistema imunológico debilitado.

Essa constatação é ainda mais preocupante, destaca a equipe de pesquisa, uma vez que 70% da cannabis é fumada ou vaporizada, de modo que as toxinas podem ser transportadas diretamente para os pulmões e agravar as lesões do tecido pulmonar causadas pelo tabagismo. Portanto, defende a equipe, é necessário reforçar os controles e as medidas de proteção.


Imagem ilustrativa Pixabay


Os esporos apresentam riscos significativos para a saúde



A irradiação gama danifica o DNA e o RNA dos micróbios e degrada as micotoxinas, compostos nocivos produzidos por alguns fungos. Embora esse processo reduza significativamente a carga microbiana, esporos viáveis de fungos micotoxigênicos, fragmentos de DNA e traços de toxinas permanecem após a irradiação, constatou a equipe de pesquisa.

Esses resíduos apresentam riscos significativos para a saúde, especialmente para certas populações, incluindo pessoas com câncer, que receberam transplantes ou são portadoras do HIV. Além disso, o estudo relata vários casos de micoses pulmonares e outras infecções oportunistas em pessoas saudáveis expostas a produtos de cannabis contaminados.

Métodos combinados para um controle mais rigoroso


A equipe de pesquisa analisou flores de cannabis secas: amostras não irradiadas, amostras irradiadas obtidas diretamente de um produtor licenciado e amostras prontas para consumo de um varejista autorizado. Eles utilizaram três abordagens complementares:
- contagem e identificação de bactérias e fungos vivos por métodos de cultura;
- testes moleculares (PCR e PCR quantitativa) para detecção de DNA fúngico e genes produtores de toxinas;
- testes ELISA, que permitem quantificar micotoxinas, como aflatoxinas e ocratoxinas, pela detecção de anticorpos.

Os métodos de análise de ponta comumente usados na produção de cannabis, como espectrometria de massa e teste ELISA, não conseguem detectar esporos vivos, destaca a equipe de pesquisa. No entanto, explica ela, é essencial detectá-los para garantir a segurança dos produtos de cannabis, especialmente aqueles usados por pessoas imunocomprometidas.

Ao realizar testes complementares, a equipe conseguiu identificar esporos que poderiam passar despercebidos pela espectrometria de massa e pelo teste ELISA.

"Basta um único esporo viável para causar uma doença; portanto, precisávamos levar a análise além dos limites do teste ELISA. As consequências podem ser mínimas para a população em geral, mas o risco é muito real para pessoas imunocomprometidas", argumenta Saji George, coautor do estudo e professor do Departamento de Ciência de Alimentos e Agroquímica.

Colaboração com a indústria



Como é extremamente difícil eliminar um fungo, não se pode enfatizar demais a importância da prevenção, ressalta a equipe de pesquisa. Ela está explorando várias soluções com parceiros da indústria, por exemplo, o uso de bactérias benéficas que impedem que fungos nocivos colonizem as plantações.

"As flores de cannabis contêm resinas pegajosas que favorecem muito a contaminação. Como os fungos são onipresentes, precisamos aumentar a vigilância em todas as etapas, do cultivo ao armazenamento, passando pela colheita e processamento", diz Mamta Rani, coautora do estudo e pesquisadora associada do Laboratório de Agroalimentar Sustentável e Nanotecnologia Ambiental (SAFE-Nano) da Universidade McGill.

"Produzir cannabis limpa é possível. Algumas empresas com as quais trabalhamos conseguiram isso por meio de práticas rigorosas de higiene e ambientes controlados", afirma a pesquisadora.

E, acrescenta Saji George: "Não estamos tentando manchar a imagem da indústria, mas sim garantir sua viabilidade e fornecer diretrizes para a produção de produtos seguros. Precisamos reforçar os padrões de segurança, especialmente para a cannabis terapêutica."

Fonte: Universidade McGill
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