Adrien - Sexta-feira 22 Maio 2026

💉 Câncer de pâncreas: um anticorpo mostra eficácia

Atingindo um número crescente de pacientes, o câncer de pâncreas continua sendo um dos mais agressivos devido à capacidade das cÊlulas cancerígenas de resistirem aos tratamentos convencionais, como a quimioterapia. Uma equipe liderada por cientistas do CNRS, do Centre LÊon BÊrard, do Inserm e da UniversitÊ Claude Bernard Lyon 1 desenvolveu um anticorpo capaz de bloquear um dos mecanismos de resistência das cÊlulas tumorais.

Avaliado pelos cientistas em um ensaio clínico de fase 1b coordenado pela equipe mÊdica de oncologia digestiva da UniversitÊ Grenoble Alpes e do CHU Grenoble Alpes, com o apoio financeiro da Fondation ARC e da startup NETRIS Pharma, esse anticorpo permitiu melhorar a resposta à quimioterapia e aumentar a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas localmente avançado, inicialmente inoperåvel. Os resultados foram publicados em 22 de abril na Nature.


Ilustração 3D do pâncreas
Š Fotalia


Em muitos cânceres, algumas cÊlulas tumorais resistem aos tratamentos ativando um mecanismo chamado de "transição epitÊlio-mesenquimal", pelo qual elas modificam rapidamente sua forma e comportamento, adquirindo assim a capacidade de escapar dos tratamentos padrão.

Uma equipe supervisionada por cientistas do Centro de Pesquisa em Cancerologia de Lyon (Centre de lutte contre le cancer LÊon BÊrard / CNRS / Inserm / UniversitÊ Lyon 1) mostrou que esse mecanismo dependia em parte da ativação anormal, durante a progressão tumoral, de uma proteína que normalmente estå presente apenas durante o desenvolvimento embrionårio: a netrina-1.

Com base nessa descoberta, os cientistas desenvolveram um anticorpo, o NP137, capaz de se ligar à netrina-1 e impedir a interação da proteína com seu receptor celular, bloqueando assim a transição epitÊlio-mesenquimal das cÊlulas tumorais. Resultado: os tumores se tornam mais sensíveis aos tratamentos anticâncer.

Após primeiros dados promissores em animais e humanos, esse medicamento candidato acaba de mostrar sua eficåcia em um ensaio clínico de fase 1b (LAPNET-1) com 43 pacientes com câncer de pâncreas localmente avançado, inicialmente inoperåveis.

Administrado em associação com a quimioterapia padrão, o NP137 permitiu melhorar significativamente a duração da resposta à quimioterapia e atÊ prolongar a sobrevida global dos pacientes em comparação com os dados históricos relatados em pacientes tratados apenas com quimioterapia padrão. Esse efeito Ê especialmente visível nos pacientes cujos tumores possuem o receptor da netrina-1, nos quais o tratamento foi acompanhado por um prolongamento de mais de 5 meses, em mÊdia, da sobrevida livre de progressão após a quimioterapia.

Embora esses resultados precisem ser confirmados por um ensaio clínico de maior escala, eles abrem uma opção terapêutica promissora para esse câncer em forte progressão, que deve se tornar a segunda causa de mortalidade por câncer atÊ 2030-2040. A longo prazo, essa abordagem terapêutica pode ir alÊm do câncer de pâncreas, com possíveis aplicaçþes em muitos outros tipos de tumores que compartilham o mesmo mecanismo de resistência.

Fonte: Inserm
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