Adrien - Quinta-feira 12 Fevereiro 2026

🧠 Bloquear os efeitos nocivos do THC para manter apenas os benéficos

O THC, principal molécula psicoativa da cannabis, possui uma dualidade surpreendente. Por um lado, exibe propriedades anti-inflamatórias suscetíveis de proteger o cérebro. Por outro, está frequentemente associado a distúrbios de memória e aprendizagem. Esta contradição complica a sua utilização terapêutica em patologias como a doença de Alzheimer.

Para contornar este obstáculo, uma equipa da Universidade do Texas em San Antonio explorou uma pista inovadora. Liderados pelo professor Chu Chen, os cientistas avaliaram o efeito de uma combinação associando uma baixa dose de THC a um anti-inflamatório dirigido, o celecoxib. O objetivo é conservar as vantagens do composto, limitando ao mesmo tempo os seus impactos negativos na cognição.


Imagem ilustrativa Unsplash

A inflamação representa um elemento central deste mecanismo. Uma enzima chamada COX-2 está frequentemente envolvida nestes processos inflamatórios cerebrais. A administração de THC aumenta os níveis de COX-2, o que poderá estar na origem dos problemas de memória. Ao bloquear seletivamente esta enzima com o celecoxib, os investigadores esperam atenuar estas consequências nefastas. Esta abordagem precisa permite igualmente evitar os riscos cardiovasculares associados aos inibidores da COX-2 em doses elevadas.


Publicados na Aging and Disease, estes trabalhos foram realizados em ratinhos modelo para a doença de Alzheimer. Os animais receberam diariamente baixas quantidades de THC e de celecoxib durante um mês. As observações são encorajadoras: a associação melhorou o desempenho cognitivo, reduziu as placas de beta-amiloide e os emaranhados de tau, diminuindo ao mesmo tempo os marcadores inflamatórios. Análises genéticas confirmaram um regresso a um perfil mais favorável para os genes associados à sinapse e à patologia.

Esta estratégia apresenta uma vantagem maior: os dois compostos já estão autorizados para uso humano. O THC sintético é utilizado contra as náuseas ligadas à quimioterapia, e o celecoxib é prescrito para a artrite. Esta situação poderá acelerar a realização de ensaios clínicos, poupando os longos anos de desenvolvimento normalmente necessários para um novo medicamento. Os cientistas indicam que esta pista abre uma via rápida para aplicações concretas.

As próximas etapas consistirão em examinar se esta combinação também pode retardar a evolução da doença ou reverter os sintomas uma vez estes estabelecidos. Um simples atraso no aparecimento da doença de Alzheimer já teria consequências maiores para os pacientes e para os sistemas de saúde. Estudos futuros explorarão estas pistas em modelos mais avançados.

Fonte: Aging and Disease
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