Adrien - Sexta-feira 10 Julho 2026

🦴 Bactérias preservaram moléculas de pterossauro por 113 milhões de anos

Uma equipe internacional liderada pela Universidade Curtin analisou um osso de asa de pterossauro de 113 milhões de anos do Brasil, conservado em três dimensões com traços químicos raros. Os pesquisadores identificaram bactérias especializadas que desempenharam um papel essencial nesse processo excepcional de fossilização.

Após a morte do animal, ele afundou no fundo de um oceano antigo. Os micróbios, incluindo bactérias oxidantes de enxofre, degradaram seus tecidos moles e desencadearam uma mineralização ao redor do corpo. Essa reação química, combinada com as condições marinhas particulares, congelou a estrutura óssea nos mínimos detalhes por mais de 100 milhões de anos.


Imagem Wikimedia

O estudo, publicado na iScience, marca uma primeira vez: graças a essa conservação, esteroides puderam ser extraídos do fóssil. Esses hormônios revelam que o animal se alimentava de peixes ou lulas. A professora Kliti Grice, autora principal, insiste no fato de que a conservação desses compostos orgânicos é excepcional. Ela explica que o oxigênio, longe de ter destruído o fóssil, participou de sua preservação graças à atividade microbiana.


Esse mecanismo de preservação por micróbios não é isolado; parece ser encontrado em outros sítios fossilíferos ao redor do mundo. Os cientistas falam até mesmo de um novo tipo de depósito de conservação excepcional, chamado Lagerstätte. Os pterossauros, primeiros vertebrados a dominar o voo ativo, possuíam ossos ocos como as aves modernas, uma característica que favoreceu sua fossilização em condições ideais.

Os resultados abrem perspectivas promissoras para a paleontologia molecular. Ao analisar os traços químicos deixados pelos micróbios e pelos tecidos, os pesquisadores podem reconstituir o ambiente antigo e o modo de vida dessas criaturas extintas. Essa abordagem refinada permite superar os limites do estudo apenas dos esqueletos.


Fonte: iScience
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