Cédric - Quinta-feira 15 Janeiro 2026

🦖 Ao contrário do que se pensava, este famoso dinossauro percorria a Europa

Durante muito tempo acreditou-se que os ceratopsianos (dinossauros com chifres e bicos como o famoso tricerátopo) não viveram na Europa, devido à falta de fósseis descobertos. Os resultados de pesquisas recentes agora demonstram o contrário. Na realidade, estes dinossauros habitavam sim as ilhas da Europa pré-histórica, mas sua identidade foi confundida com a dos rabdodontídeos.

Para chegar a esta conclusão, uma análise aprofundada de fósseis como o do Ajkaceratops, um dinossauro descoberto na Hungria, foi realizada com novas tecnologias. Até agora, a classificação deste espécime permanecia incerta porque os fósseis encontrados limitavam-se a fragmentos do focinho. Mas o uso da tomografia computadorizada permitiu aos pesquisadores examinar a estrutura interna do crânio com mais precisão. A forma do bico e do palato permitiu determinar que se tratava de um ceraptosiano. Esta descoberta também permitiu reinterpretar outros fósseis europeus.


Reconstituição da possível aparência do Ajkaceratops kozmai.
Ilustração original de Matthew Dempsey.


Anatomia revelada: a prova pelo osso e pela imagem



O estudo publicado na Nature demonstra que vários fósseis atribuídos a um grupo endêmico europeu, os rabdodontídeos, pertencem na realidade à família dos ceraptosianos. Este também é o caso de um dinossauro da Romênia, anteriormente nomeado Zalmoxes. O exame das suas características cranianas e dentárias permitiu a sua reclassificação e renomeação como Ferenceratops. Esta identificação corrige um erro de categorização com várias décadas.

É preciso dizer que o processo de distinção entre estes grupos de herbívoros é complexo: como explicam os autores, os ceraptosianos e os iguanodontianos partilham um ancestral comum e desenvolveram independentemente adaptações semelhantes, como uma locomoção quadrúpede e mecanismos de mastigação elaborados. Estas evoluções similares tornam os ossos isolados difíceis de atribuir com certeza.

A confirmação da presença dos ceraptosianos na Europa permite compreender melhor a sua dispersão pelo hemisfério norte. Os primeiros membros deste grupo apareceram na Ásia antes de se deslocarem. A posição geográfica da Europa fazia dela uma via de migração coerente.

As implicações para o ecossistema do Cretáceo Superior


A geografia particular da Europa nessa época, fragmentada num arquipélago de ilhas com mares pouco profundos, provavelmente influenciou a evolução dos seus ceraptosianos. As espécies identificadas, como o Ajkaceratops, eram de tamanho modesto comparadas com os seus primos gigantes que chegaram mais tarde da América do Norte. O facto de viverem isolados em ilhas poderia explicar tanto a sua morfologia diferente, como a raridade inicial dos seus fósseis, muitas vezes limitados a alguns fragmentos.

A presença de ceraptosianos, apresentando modos de alimentação e comportamento potencialmente diferentes dos rabdodontídeos, indica uma biodiversidade e interações mais elaboradas do que o que era estimado até então. O estudo indica ainda a importância das coleções e da revisão dos espécimes com o auxílio das novas tecnologias agora acessíveis. Muitos fósseis, coletados há décadas e catalogados, podem ter sido atribuídos a uma identidade errada e têm potencialmente informações para nos revelar.

Autor do artigo: Cédric DEPOND
Fonte: Nature
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