Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Warwick mostra que humanos, chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos compartilham todos o mesmo ritmo básico de riso. Esse ritmo regular, com intervalos espaçados de maneira igual entre os sons, teria sido herdado de um ancestral comum que viveu há pelo menos 15 milhões de anos. Uma descoberta que transforma nossa compreensão da evolução da fala nos humanos.
Até agora, ignorava-se como nosso riso evoluiu desde nossos distantes primos. Ao analisar 140 sequências de riso gravadas em quatro orangotangos, dois gorilas, três bonobos, quatro chimpanzés e quatro humanos, os cientistas constataram um padrão comum: todos produzem risos com ritmos regulares. Esse resultado indica que a estrutura rítmica básica já estava presente em nosso último ancestral comum, há cerca de 15 milhões de anos.
Imagem de ilustração Unsplash
Se o ritmo fundamental do riso permaneceu inalterado, o riso humano ganhou em velocidade e diversidade. Os humanos são os únicos capazes de modular seu riso de acordo com as circunstâncias: um riso incontrolável sob cócegas difere de um riso educado em reunião, de um riso nervoso após um erro ou de um riso comunicativo entre amigos. Essa flexibilidade, ausente nos outros grandes primatas, mostra que os humanos desenvolveram um controle consciente de suas vocalizações.
Essa capacidade de controlar o ritmo do riso seria um passo-chave para a aquisição da linguagem falada. Os pesquisadores propõem que nossos ancestrais gradualmente ganharam domínio sobre o momento e a forma de suas gargalhadas. Um controle vocal avançado que constitui um dos fundamentos da fala. O riso não deixa fósseis, mas seu estudo comparativo oferece uma visão única sobre nosso passado vocal.
A equipe de Warwick insiste no fato de que a evolução do controle vocal humano não ocorreu de forma abrupta. Os resultados indicam uma continuidade ao longo de vários milhões de anos, com as capacidades de modulação se aperfeiçoando progressivamente. O riso dos grandes primatas atuais ainda carrega os vestígios desse longo percurso, como um eco sonoro de nossa história evolutiva. Os humanos, portanto, não seriam os únicos a possuir predisposições rítmicas para a linguagem.
Este estudo, publicado no periódico
Communications Biology, poderia permitir compreender como a fala emergiu. Ao ouvir o riso de nossos parentes mais próximos, os cientistas esperam traçar as transformações vocais que levaram ao aparecimento do homem moderno. O riso, muito mais do que uma simples expressão emocional, torna-se uma ferramenta de pesquisa para explorar as origens de nossa linguagem.
Fonte: Communications Biology